Após o lançamento do ISTSat-1, o Técnico avança com duas novas missões espaciais

No dia 9 de julho, o ISTSat-1 completou dois anos em órbita. O primeiro nanossatélite universitário possui um tempo de vida estimado de cerca de 10 anos e está a ser acompanhado através da estação que se encontra no campus Oeiras o Técnico. O projeto reuniu a participação de quatro centros de investigação associados à Escola: o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), o Instituto de Telecomunicações (IT), o Instituto de Engenharia Mecânica (idMEC) e o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa). No entanto, a investigação e o desenvolvimento de sistemas não se limitou à criação deste satélite. Atualmente, os docentes, investigadores e estudantes do Técnico encontram-se em fase de preparação para duas novas missões espaciais, que incluem o Argus e o 5G Nanosatellite.

O satélite Argus será lançado em outubro deste ano, a bordo da Transporter-18 da SpaceX. É constituído por dois satélites cúbicos (cubesats) e tem como objetivo determinar autonomamente a posição e orientação de satélites em órbita, recorrendo a algoritmos de inteligência artificial executados diretamente a bordo. O sistema possui quatro câmeras e um processador, que contribuirão para a estimação da posição do satélite, com base na recolha e análise de imagens da superfície terrestre. A missão será acompanhada através da estação do campus Oeiras. Este projeto resulta de uma parceria entre o Técnico, em particular do NanoSatLab, e a Carnegie Mellon University (CMU).

Já o 5G Nanosatellite visa demonstrar a ligação direta entre um satélite em órbita baixa e a rede terrestre 5G, combinando um terminal 5G e uma antena compacta desenvolvida pelo NanoSatLab. Este satélite tem como objetivo multiplicar as janelas de transferência de dados a partir de satélites, atualmente limitadas a quatro períodos de dez minutos por dia. A iniciativa conta com o apoio da Altice Labs e da Universidade do Luxemburgo. O satélite será lançado em 2029.

O ISTSat-1 demonstrou que o Instituto Superior Técnico tem capacidade para desenvolver tecnologia espacial de forma integrada, envolvendo estudantes, investigadores e parceiros nacionais e internacionais; hoje temos uma equipa mais experiente, uma infraestrutura consolidada e conhecimento que nos permite participar em missões mais ambiciosas.

 João Paulo Monteiro, investigador do IST NanoSatLab e do ISR-Lisboa. 

Além da componente de investigação, o desenvolvimento do ISTSat-1 teve igualmente impacto na comunidade estudantil. Após o lançamento do nanossatélite, os estudantes criaram o grupo LISAT – Lisbon Student Satellite Team, que se dedica à criação de protótipos para missões espaciais, através da orientação de investigadores.

Notícia e fotografia: Técnico

Tópicos: