ElectroStars: António Jerónimo

Nesta edição da rubrica ElectroStars entrevistámos António Jerónimo, alumnus do Mestrado integrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores.

António Jerónimo, alumnus do Mestrado integrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, foi distinguido mais uma vez pelo seu desempenho académico. Após ter vencido a edição de 2021/22 do Prémio de Mérito Ivo Gonçalves, que reconhece o melhor aluno inscrito no Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores com especialização em energia, subiu ao pódio do Prémio REN 2024, alcançando o 3.º lugar no concurso nacional para teses de mestrado na área de Energia.

Escolheu o curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores no Técnico como primeira opção: "Tinha um avô que era engenheiro eletrotécnico na EDP e desde miúdo que [eu] gostava muito de computadores", refere.

Achei que o Técnico me proporcionaria uma carreira com mais sucesso do que as outras faculdades de engenharia.

António Jerónimo, alumnus de MEEC

O seu interesse na área de energia teve início na unidade curricular de Fundamentos de Energia Elétrica. Os conceitos sobre eletricidade juntamente com o gosto pela transição energética levaram-no a escolher a especialização nesta área no mestrado.

Antes de ingressar no Técnico, António já conhecia o Prémio REN, devido à sua ampla divulgação nos meios de comunicação. Decidiu candidatar-se por considerar que a sua tese, “Modelling Electric Vehicle Charging Stations Flexibility for Long-Term Distribution Network Planning”, era inovadora e com grande relevância no âmbito do planeamento de redes de distribuição elétrica.

O problema que eu menciono na tese, que é precisamente ter de haver uma gestão eficiente [da energia], é real (...) [é algo que] se antecipa e, por se antecipar, são necessárias soluções que o mitiguem.

António Jerónimo, alumnus do MEEC

Na entrevista, António explica, de uma forma simples, em que consistiu a sua tese, centrada no deslocamento de carga, no contexto do carregamento de veículos elétricos. Ao carregar um veículo elétrico, é transferida energia para o veículo, algo que corresponde a uma carga para a rede elétrica nacional. Durante o dia, existem momentos de congestionamento, ou seja, de sobrecarga da rede devido ao elevado consumo de energia pelos utilizadores. O deslocamento de carga consiste no "adiamento" do consumo referente ao carregamento de veículos elétricos, transferindo a sua carga para momentos em que existe uma menor procura de energia. Desta forma, os utilizadores podem carregar os seus veículos durante o período noturno em que existe menor consumo de energia elétrica em vez de realizarem o carregamento durante o final da tarde / início da noite (um momento em que existe elevado consumo de energia).

Desta forma, o deslocamento de carga no tempo resulta numa gestão mais flexível da energia da rede, adiando, em alguns casos, a necessidade de investimento em transformadores com maior potência ou cabos com maior capacidade, por parte das operadoras das redes de distribuição, pois a energia total necessária nos momentos de congestionamento diminui. Como não é possível aplicar este modelo em todas as situações, continuando a ser necessário o referido investimento em alguns casos, a solução apresentada por António é um modelo híbrido, aplicando simultaneamente o deslocamento de carga e o reforço tradicional das infraestruturas.

O meu modelo quantifica a flexibilidade por parte do operador de rede, que é quem utiliza esse modelo e faz contratos com agregadores, que são o que chamamos de flexibility service providers (fornecedores de serviços de flexibilidade).

António Jerónimo, alumnus de MEEC

Relativamente à forma como este modelo poderá ser aplicado, António refere que seria criada a figura de agregador: um intermediário entre o consumidor final e a operadora de distribuição de rede. A função do agregador seria estabelecer contratos com clientes e aplicar o deslocamento de carga de acordo com a necessidade rede de distribuição.

O tema da dissertação foi decidido em conjunto com os professores Pedro Carvalho e Célia Jesus (orientadores da tese de mestrado) e Hugo Morais (coordenador do projeto EV4EU), numa reunião realizada presencialmente. Foi nesta reunião que António teve o primeiro contacto com o projeto EV4EU, focado na mobilidade elétrica. Na altura estava a fazer Erasmus na KTH, em Estocolmo, e regressou a Portugal, para frequentar o 4.º período no Técnico, de forma a aumentar o seu conhecimento em redes elétricas, algo que contribuiu posteriormente para o Prémio REN.

O Prémio REN é um marco, é a minha maior distinção académica. (...) É um reconhecimento do trabalho que tenho vindo a desenvolver ao longo dos 5 anos em que estive aqui no Técnico.

António Jerónimo, alumnus de MEEC

Quando questionado sobre os desafios enfrentados ao longo da sua investigação, António refere a dificuldade em compreender o modelo original, que é da autoria dos professores Pedro Carvalho e Luís Marcelino, e melhorá-lo de forma a obter resultados positivos e percetíveis.

Ao longo da sua passagem pelo projeto EV4EU, motivado pelos três professores, publicou também um artigo sobre o tema para a International Conference on Smart Energy Systems and Technologies (SEST), na Turquia.

Atualmente, António é gestor de projeto na Hyperion, uma promotora de projetos renováveis, e sente que o mestrado lhe forneceu as bases para integrar o mercado de trabalho: "acho que é uma mais-valia ter um mestrado nesta área, sem dúvida", refere, valorizando as capacidades que adquiriu ao longo dos estudos.

O Técnico foi a minha casa durante 5 anos, moldou-me imenso como pessoa. (...) [Ser alumnus desta instituição] também representa uma superação de quem cá andou e tenho gosto em dizer que pertenci ao Técnico.

António Jerónimo, alumnus de MEEC

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