DEEC TALK, com Sérgio Pequito

No dia 18, decorreu a sessão "Práticas de Avaliação na Era da IA: Exemplos, Ferramentas e Salvaguardas". A DEEC TALK contou com a participação de Sérgio Pequito, Vice Presidente da Investigação, Desenvolvimento e Relações Externas do DEEC. Esta sessão teve como objetivo a partilha de algumas das ferramentas de inteligência artificial que podem ser utilizadas no âmbito do ensino.
O professor começou por abordar a importância da perspetiva construtivista, que concilia atividades de ensino, objetivos de aprendizagem e a respetiva avaliação, explicando a sua relação com a taxonomia de Bloom: um esquema em pirâmide que inclui os conceitos de recordar, perceber, aplicar, analisar, avaliar e criar. Para ilustrar esta teoria, utilizou, como analogia, a culinária: a utilização de diferentes tipos de técnicas e ingredientes acaba por influenciar o resultado final. De seguida, abordou as diferenças entre as avaliações formativas e somativas, tendo em conta 5 requisitos de qualidade: a validade, a viabilidade, a transparência, a dificuldade de execução e a importância do processo.

De forma a contribuir para a otimização dos processos, cumprindo estes requisitos, ao longo da apresentação, o investigador partilhou algumas das ferramentas de inteligência artificial que podem ser utilizadas pela comunidade académica:
- IAedu Platform (FCT / FCCN): uma plataforma que visa a democratização do acesso à inteligência artificial no ensino superior em Portugal;
- Notebook LM: uma ferramenta que permite criar apresentações, infografias... entre outro tipo de materiais apenas com base nos documentos submetidos na plataforma, sem recorrer a outro tipo de informações, disponíveis na internet;
- Nano Banana: um software que permite a edição e criação de imagens;
- Gradescope: um site que permite corrigir, organizar e devolver avaliações (exames, trabalhos e quizzes).

No entanto, a utilização destas ferramentas requer alguns cuidados como a submissão documentos viáveis e de instruções claras, tendo em conta as palavras-chave necessárias para programar o agente de IA corretamente. Desta forma, o sistema poderá funcionar como tutor, constituindo uma oportunidade para a aprendizagem ativa. Como exemplos, Sérgio Pequito referiu a possível utilização destas ferramentas para a criação de respostas erradas, tendo como objetivo incentivar o debate entre os alunos. Por outro lado, poderá também contribuir para a gestão de expectativas, tendo em conta os erros mais comuns na resolução do problema, para a síntese da matéria, resumindo os conceitos e fórmulas relevantes, e para a simulação de exames.
Adicionalmente, a inteligência artificial pode também ser utilizada para a revisão da escrita, apontando correções necessárias a nível estrutura e ortografia, algo que pode ser relevante na produção de documentos como teses académicas.

No entanto, a utilização destas ferramentas levanta questões éticas como a autoria dos resultados. Por este motivo, o professor realçou a importância de ter em conta todo o processo de avaliação, incluindo a argumentação presencial dos resultados e a estimulação do pensamento crítico dos estudantes. Sérgio Pequito destacou também que os docentes poderão também recorrer ao sistema de "semáforo": indicando se, nas respetivas unidades curriculares, os alunos poderão utilizar a IA na totalidade ou de forma parcial, ou se estes recursos não são permitidos de todo.
Para garantir a transparência do processo, os estudantes poderão também ser encorajados a assinar uma declaração que especifique de forma foram utilizadas as diferentes ferramentas ao longo do seu trabalho.

O investigador partilhou também um modelo 30 - 70: 30% do processo poderá incluir a utilização de IA, por exemplo, para o debate de ideias, alternativas, clarificações e revisões, enquanto que a percentagem restante do processo, que inclui a origem da ideia, as decisões, a avaliação crítica dos resultados e as conclusões, deverá depender sempre da componente humana. Contudo, os utilizadores deverão também testar ativamente os seus limites, avaliando até que ponto conseguem explicar os resultados sem recurso a IA, de que forma a utilização destas ferramentas teve impacto no seu próprio raciocínio e se lhes é possível defender todos os argumentos propostos.
Neste sentido, o professor abordou o conceito de complementaridade cognitiva: a aprendizagem poderá ser otimizada tendo em conta a o significado, o contexto e o esquema atribuído pelo humano, assim como a escalabilidade dos dados e o reconhecimento de padrões analisados pelo sistema.

Em conclusão, falou também um pouco sobre a nova visão dos conceitos de professor e de aluno, tendo em conta a integração de novos processos, o redesign do currículo académico, os desafios éticos, a responsabilidade social... entre outras questões.
A sessão contou ainda com a participação de vários docentes, que debateram temas como a estimulação a curiosidade dos alunos, a estrutura do currículo académico, tendo em conta o elevado número de avaliações somativas, os limites da utilização de IA nas unidades curriculares e as consequências da infração dos mesmos, entre outras questões.

