ElectroStars: Artur Guia

Artur Guia pratica xadrez desde pequeno. Com apenas 5 anos já conhecia os movimentos de cada peça do tabuleiro. Com 18, já participou em centenas de competições e integra, atualmente a equipa do Técnico, vencedora do último Campeonato Nacional Universitário (CNU) de Xadrez Semirrápidas Equipas – Misto. Em entrevista ao DEEC, o estudante partilhou um pouco do seu percurso.

«O meu interesse pelo xadrez começou, de alguma forma, inesperado, porque, quando era pequeno, os meus pais inscrevia-me em várias atividades extracurriculares, sendo que o xadrez era só uma delas», recorda. Durante o ensino primário começou a participar em competições e foi durante um campeonato nacional que tudo mudou.
Eu considero que comecei a jogar a sério, em competição, aos 8 anos quando fui disputar o meu 1.º campeonato nacional e venci. Foi aí que eu decidi que o xadrez era algo mais do que um passatempo, que era mesmo a minha paixão.
Artur Guia, vencedor do Campeonato Nacional Universitário (CNU) de Xadrez Semirrápidas Equipas – Misto
Atualmente, Artur Guia tem mais de 400 torneios e de 2300 jogos registados na Federação Internacional de Xadrez. Foi campeão nacional na categoria de lentas sub8, sub10, sub12, sub14 e sub18 (onde cada jogador tem 1 hora e 30 minutos para pensar em cada lance, com o incremento de 30 segundos) e campeão nacional de semirrápidas sub16 (onde cada jogador tem direito a 10 minutos, como incremento de 5 segundos). Além destas categorias, também participa em competições de rápidas, onde cada jogador tem 3 minutos para cada lance, com 2 segundos de incremento.

O estudante também já representou Portugal várias vezes, em campeonatos internacionais. Neste sentido, destaca a importância da preparação diária, equilibrando os treinos e os momentos de descanso. Por outro lado, realça que, nestas competições, existe também alguma abertura para momentos de convívio e de discussão de estratégias entre os jogadores.
Representei a seleção nacional portuguesa por 6 ocasiões: fui jogar na Grécia, Roménia, Letónia, Espanha e Albânia, e participei uma vez nos campeonatos de xadrez híbridos, quando houve a pandemia, no europeu híbrido.
Artur Guia, vencedor do Campeonato Nacional Universitário (CNU) de Xadrez Semirrápidas Equipas – Misto
Conheceu a equipa de xadrez do Técnico através de alguns amigos que praticavam a modalidade e decidiu integrar a mesma assim que ingressou na Escola. Já conhecia vários alunos e alguns dos professores, incluindo Horário Neto, antigo docente do DEEC e campeão de xadrez por correspondência.
Além das visitas no âmbito das competições de xadrez, Artur Guia veio ao Técnico várias vezes, tendo participado em workshops, atividades extracurriculares e no Dia Aberto, onde aprofundou algum conhecimento sobre a Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (LEEC). Embora já conhecesse a área, devido à formação académica do pai, decidiu visitar a sessão de apresentação do curso. Acabou por entrar na LEEC motivado pela abrangência do mesmo, após uma visita à Intele. «É o curso do futuro», realça, destacando o impacto da área nos diversos setores da sociedade.
O meu sentido de vida é aprender mais, saber como é que o nosso mundo funciona, é disso que gosto e a engenharia eletrotécnica explora como é que a nossa tecnologia funciona.
Artur Guia, vencedor do Campeonato Nacional Universitário (CNU) de Xadrez Semirrápidas Equipas – Misto
Além das áreas científicas do curso, Artur Guia tem interesse em línguas, artes e de filosofia: «sempre gostei muito de todas as disciplinas. (...) No secundário gostei muito da filosofia da ciência - das teorias do Descartes, de Thomas Khun, Karl Popper... - por que todos contribuíram para a forma como se faz a ciência, como nós temos de pensar corretamente para não cometermos erros, para termos um pensamento claro e progredirmos cada vez mais», destaca.
Artur Guia escolheu a LEEC por priorizar a compreensão de conceitos técnicos sobre como funciona o mundo, nomeadamente através das suas propriedades físicas, mas espera vir a complementar o seu conhecimento, mais tarde, com outros cursos, como filosofia e física.
O xadrez, para mim, é uma maneira de estar; é uma filosofia porque ensina-me como eu devo estruturar o meu pensamento.
Artur Guia, vencedor do Campeonato Nacional Universitário (CNU) de Xadrez Semirrápidas Equipas – Misto
Para si, o xadrez tem muitos pontos em comum tanto com a filosofia como com o próprio método científico: «a maneira como se faz a ciência é criar um problema, estruturar uma forma de o resolver, encontrar as refutações, contra exemplos que possa contrariar essa teoria, melhorá-la, confirmá-la e melhorá-lo ao longo do tempo até chegarmos à verdade. O xadrez é um pouco isso», afirma.
No xadrez, os jogadores procuram atingir a continuação vencedora, um desafio que tem sido proposto, igualmente, a diferentes sistemas de IA: «com o aparecimento da inteligência artificial, o xadrez mudou de forma drástica, porque surgem novos planos, novas estratégias, novas aberturas, que contribuem para nós chegarmos à continuação vencedora, mas nunca chegamos lá», destaca o estudante. Embora a evolução tecnológica contribua para o desenvolvimento de jogadas «fora da caixa», que por vezes apenas não são exploradas pelo humano, Artur Guia reforça que a descoberta da continuação vencedora é algo bastante improvável, devido à grande quantidade de lances possíveis.

Realça também que a utilização de IA apresenta vários benefícios, como a sugestão de ideias, mas reforça que é fulcral que os utilizadores tenham tenhas sentido crítico: estas ferramentas devem ser utilizadas “mais para confirmar aquilo que já temos pensado do que propriamente para resolver as coisas”.
Quando questionado sobre o futuro, Artur Guia reforça que espera continuar a aprender sobre o mundo e a conseguir conciliar o desporto federado e a vida académica.
Espero que consiga conciliar o curso com o xadrez, sem desistir nem de uma coisa nem de outra porque gosto de ambas, são as minhas paixões na vida; espero que consiga ganhar mais títulos [representando o Técnico].
Artur Guia, vencedor do Campeonato Nacional Universitário (CNU) de Xadrez Semirrápidas Equipas – Misto
Fotografias: Artur da Guia
