ElectroStars: Catarina Caramalho

Catarina Caramalho é atualmente estudante do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e líder do IEEE Student Brunch do Técnico, especializado em eletrónica, o CAS/SSCS (Circuits and Systems/Solid-State Circuits Society). Ao longo do curso, pertenceu também ao Núcleo de Física do Técnico, já trabalhou com a SocRob@Home e participou em 3 NEECHathons. Em entrevista ao DEEC, Catarina deu a conhecer um pouco do seu percurso, desde a escolha do curso até à atualidade.

Ingressou no Técnico, na Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de computadores, motivada tanto pela abrangência do curso e como pelo contacto com a área da robótica: "era o que me despertava mais interesse", recorda. Do seu ponto de vista, esta área permite "dar vida às artes", através do desenvolvimento de robôs: além de possuírem objetivos práticos, sendo dotados de movimento, podem também ser vistos como a materialização de ideias, à semelhança de esculturas.

Quando era criança gostava muito de artes e de artesanato, mas também gostava muito de ciências. Comecei a olhar para a engenharia, de uma forma geral, como uma ponte entre estas duas áreas.

Catarina Caramalho, líder do IEEE SB CAS/SSCS e estudante de MEEC

A escolha do curso foi uma preocupação desde cedo. Por volta do seu 9.º começou a fazer pesquisa. No ensino secundário participou na iniciativa "Satélites, Rockets e Missões Espaciais - Uma semana no Espaço", promovida pelo Técnico Oeiras, motivada pelo interesse no espaço. Esta inciativa teve como objetivo o desenvolvimento de satélites. «Foi a 1.ª altura que tive contacto com programação mais "a sério" e com modelação 3D», refere.

Este interesse pelo espaço fê-la inclusivamente ponderar seguir Engenharia Física ou Engenharia Aeroespacial. Por este motivo, no 1.º ano da licenciatura, mesmo sendo estudante de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, acabou por se juntar ao Núcleo de Física, de forma a cultivar também o interesse pela área. Foi através da participação nos eventos deste núcleo, nomeadamente no âmbito da organização de uma visita ao Instituto de Sistemas e Robótica, que conheceu a equipa SocRob@Home, à qual decidiu de imediato juntar-se, com uma colega.

Isto foi no nosso 2.º ano. Não tínhamos muita experiência; não tínhamos praticamente conhecimentos, mas pensámos "vamos lá tentar".

Catarina Caramalho, líder do IEEE SB CAS/SSCS e estudante de MEEC

Na SocRob@Home começou por ser responsável pela classificação de conjuntos de dados do robô "Bob", realizando a correspondência entre conceitos e objetos ou ações: "para treinar robôs é preciso, por exemplo, que estes saibam o que são as coisas, como o que é uma maçã", explica. Em 2024, na Holanda, participou na RoboCup, uma competição anual que conta com a participação de várias equipas, a nível mundial, onde os robôs são encarregues de tarefas domésticas, como tirar a loiça de uma mesa e colocá-la na máquina de lavar.

Reforça que esta competição permitiu-lhe vivenciar a responsabilidade do trabalho de equipa sob pressão: «15 minutos antes da competição, os robôs têm de estar na fila para entrar e ainda há pessoas a corrigir o erro, se for preciso, até ao último segundo".

Eu adorei a experiência da RoboCup, mas é um ambiente muito intenso.

Catarina Caramalho, líder do IEEE SB CAS/SSCS e estudante de MEEC

No entanto, a arena é também um espaço de partilha, possibilitando a troca de ideias com outras equipas, principalmente portuguesas: «Quando há problemas, os outros participantes costumam cooperar e dar ideias, não é de todo um obstáculo», refere.

Por outro lado, a integração na equipa possibilitou ainda o desenvolvimento do seu projeto integrador de curso (PIC1), que teve como objetivo contribuir para o processamento de dados tridimensionais do Bob, que, anteriormente, recolhia apenas dados bidirecionais.

Devido ao forte contacto com esta área, Catarina Caramalho decidiu continuar os estudos através do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, optando pela especialização em sistemas de controlo e robótica.

Eu, quando entrei, na licenciatura, vinha muito vidrada para a área da robótica. Depois, ao longo do curso, comecei a ganhar muito interesse pela eletrónica. Ao escolher a área de mestrado, cheguei a estar muito indecisa.

Catarina Caramalho, líder do IEEE SB CAS/SSCS e estudante de MEEC

Adicionalmente, de forma a "manter vivo" o interesse pela eletrónica, juntou-se também ao IEEE SB do Técnico. Atualmente, é responsável pela organização de atividades, tendo como objetivo despertar o interesse de outros alunos pela área, através de workshops, dirigidos tanto à comunidade do Técnico como a estudantes de escolas secundárias. O núcleo organiza também as PhD & MSc Talks, onde alunos e alumni de doutoramento e mestrado são desafiados a apresentar as suas teses.

Além do contacto com a eletrónica, destaca que a participação no núcleo é também uma oportunidade para o desenvolvimento de soft skills. Sublinha a importância melhorar ao máximo a comunicação, de forma a "explicar bem à primeira", evitando lacunas no processo. Por outro lado, destaca também o desenvolvimento da capacidade de gestão: "Eu nunca tinha estado a liderar um grupo; é uma experiência completamente nova. Envolve muito mais organização e responsabilidade. (...) Obriga-me a gerir o meu tempo muito melhor", realça.

Sinto que, desde que entrei no Técnico até agora, tanto em termos de hard skills como de soft skills, sou uma pessoa completamente diferente. Eu olho para pessoas que estão "a cima" de mim e penso "ok, se eles conseguem, eu também irei conseguir, mesmo que demore mais tempo".

Catarina Caramalho, líder do IEEE SB CAS/SSCS e estudante de MEEC

Ainda em relação a projetos, a estudante foi também responsável pelo sistema vencedor da última NEECHathon, uma maratona tecnológica que desafia os participantes a desenvolver projetos, com aplicabilidade prática, em menos de 48 horas. O sistema, desenvolvido em equipa, tinha como objetivo mostrar, tanto através de uma aplicação móvel como através de luzes LED dispostas ao longo da plataforma, a taxa de ocupação das carruagens do metro, com base em dados, como o peso das carruagens, recolhidos na estação anterior.

Em conclusão à entrevista, quando questionada sobre o que diria ao seu "eu" mais novo, Catarina Caramalho destaca que lhe daria um conselho que aparenta ser contraditório para quem a conhece: "diria para ter calma (...). Eu tinha tudo muito delineado, com a certeza do que queria fazer, dos anos em que entrava e saía da faculdade... E quando as coisas começaram a não correr como eu queria, comecei a ficar desmotivada. Não havia necessidade disso, eu era muito nova", refere. Desta forma, olhando para o seu percurso, reforça a importância de os estudantes enfrentarem os obstáculos e de não desistirem.

Vão haver sempre obstáculos no caminho (...) É importante não desmotivar quando eles aparecem.

Catarina Caramalho, líder do IEEE SB CAS/SSCS e estudante de MEEC

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