ElectroStars: Laura Fernandes

Laura Fernandes é estudante da Licenciatura em Engenharia Aeroespacial e membro do departamento de eletrónica e software da Fórmula Student do Técnico (FST Lisboa). Em entrevista ao DEEC, falou um pouco sobre o seu percurso, desde a escolha do curso até à atualidade.

O Técnico foi a sua 1.ª opção. Ingressou na Licenciatura em Engenharia Aeroespacial (LEAer) bastante motivada, tendo em conta a perspetiva, sobre os diferentes cursos, de alguns amigos da sua irmã mais velha. Logo no 1.º ano, juntou-se à JUNITEC, tendo sido responsável tanto pelo desenvolvimento como pela gestão de projetos.

No secundário eu já era muito proativa; gostava de me inscrever em projetos (...). Gosto de desafios.

Laura Fernandes, estudante da LEAer e membro da FST Lisboa

Neste núcleo, esteve inserida em algumas iniciativas, incluindo o desenvolvimento de uma plataforma de aprendizagem para crianças, que tinha como objetivo ensinar os mais novos a programar por blocos. O principal desafio foi a criação de um sistema que se autogerasse, ou seja, que tornasse possível originar novos níveis de aprendizagem através da alteração de algumas variáveis no código. Já enquanto gestora de projeto, foi responsável pela gestão da equipa e pelas reuniões com o cliente de um projeto que consistiu na atualização de uma base de dados da AGEAS.

No entanto, através da participação neste núcleo, percebeu que preferia o desenvolvimento de projetos, em relação à consultoria.

Eu gosto mais de "pôr as mãos na massa" do que de estar a dirigir.

Laura Fernandes, estudante da LEAer e membro da FST Lisboa

Por outro lado, o gosto pela eletrónica cresceu ao longo da licenciatura, influenciado pelas unidades curriculares da área. «Acho extremamente interessante todo o processo de condicionamento dos sinais analógicos e a conversão de analógico para digital, (...) está na base de tudo; liga o software e o hardware», realça.

No segundo ano, decidiu candidatar-se à FST Lisboa, motivada também pelo interesse em motorsports. Ao longo do processo de recrutamento, foi desafiada a realizar várias tarefas relacionadas com eletrónica, software, noções gerais de segurança e dinâmica de veículo, que são avaliadas pela equipa. «Gostei muito do processo de recrutamento. Tivemos a sorte de ter um acompanhamento super bom e, no 2.º semestre, ainda éramos recrutas, mas conseguimos ser integrados na equipa», refere.

Começámos a fazer projetos que iriam ser utilizados internamente e, como fomos integrados cedo, começámos logo a ter contacto com o carro, o que facilita imenso o trabalho deste ano como membro.

Laura Fernandes, estudante da LEAer e membro da FST Lisboa

No departamento de eletrónica e software, os estudantes são responsáveis pelo design de circuitos e PCB, pelo código de sistemas embebidos, pela programação dos microcontroladores e pelo desenvolvimento da interface, que integra os protocolos de comunicação usados no carro. Laura Fernandes participou no desenvolvimento do circuito utilizado para simular o RES (Remote Emergency System) - o sistema que aciona, de forma manual, a paragem de emergência do carro, durante a condução autónoma do mesmo. Após o desenvolvimento do hardware, a estudante dedicou-se igualmente à programação do sistema, integrando os protocolos de comunicação necessários.

Laura Fernandes destaca que fazer parte da FST Lisboa proporciona aos estudantes «uma visão muito real sobre o que é ser engenheiro», promovendo o contacto entre as diferentes áreas necessárias para o desenvolvimento de um projeto, desde os pormenores técnicos às questões logísticas necessárias.

Consigo perceber, de uma forma muito mais real, como é que as equipas funcionam, como é que os projetos se gerem, as dificuldades... ou seja, se saísse do curso e quisesse integrar o mercado de trabalho já, sinto que teria uma adaptação muito mais suave.

Laura Fernandes, estudante da LEAer e membro da FST Lisboa

Além de um espaço de aprendizagem, onde se partilha um objetivo comum, a oficina proporciona também a criação de laços de amizade: «Já não é só a malta da FST, já há amigos. Nós passamos muitas horas na oficina, às vezes parece um bocado exagerado, mas, na minha opinião, vale a pena», realça.

Laura Fernandes sublinha que, embora a equipa seja constituída maioritariamente por rapazes, nunca se sentiu desconfortável por ser rapariga. Apenas se apercebeu da diferença de género, em termos numéricos, durante as avaliações do processo de recrutamento: «eu era a única menina na sala», relembra. No entanto, reforça que o género, na equipa, não é um problema. «Nunca senti qualquer tipo de tratamento diferente ou desconsideração por ser rapariga. Tratamo-nos mesmo todos por igual. (...) Eu acho que, hoje em dia, já ninguém descarta engenharia pela questão de género», refere.

Eu encaro esse facto [de haver menos mulheres na engenharia] com naturalidade, porque estamos todos a trabalhar para o mesmo, e com responsabilidade, porque, se mais meninas quiserem vir e ocupar os mesmos lugares, queremos desbravar caminho para que as coisas sejam mais fáceis.

Laura Fernandes, estudante da LEAer e membro da FST Lisboa

A estudante descreve a sua experiência no Técnico como algo «exigente e enriquecedor», tendo constituído uma oportunidade para o seu crescimento pessoal e profissional: «foi uma aventura. Perceber o que ia gostar, que notas ia ter... A realidade é que estava habituada a ter certas notas no secundário que, na faculdade, não corresponderam. Acho que isso foi um dos primeiros choques para mim». Além da obtenção de hard skills, a entrada no ensino superior significou também adaptar-se ao início da vida adulta, enquanto estudante deslocada, incluindo a gestão de tarefas domésticas, em conjunto com a irmã, e as visitas a casa, na Madeira. «Sinto que me desenvolvi a todos os níveis e que sou uma pessoa muito mais competente», refere.

No futuro, Laura Fernandes espera trabalhar na área de eletrónica, mais precisamente em sistemas embebidos. Realça que existe uma grande margem para a evolução do hardware, necessária para acompanhar o desenvolvimento do software, tendo em conta tanto a otimização da eficiência dos sistemas, assim como a integração de tecnologias de inteligência artificial.

[Se pudesse falar com o meu "eu" mais novo diria] "nem sabes o que te espera!"

Laura Fernandes, estudante da LEAer e membro da FST Lisboa

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