ElectroStars: Maria Francisca Cabral
Hoje partilhamos a entrevista da coordenadora das JEEC 2026.

Maria Francisca Cabral é estudante do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (MEEC) e já participou na organização de 5 edições das Jornadas de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (JEEC) do Técnico. Em entrevista ao DEEC, abordou um pouco do seu percurso, desde a escolha do curso até ao momento.
A curiosidade pela Engenharia Eletrotécnica e de Computadores surgiu durante o ensino secundário. Embora tivesse tido anteriormente o sonho de seguir medicina, percebeu que o seu gosto por física e matemática se sobrepunha ao interesse pela biologia humana. «Foi destruir um bocadinho o sonho», refere. Decidiu recomeçar e procurar novas opções, tendo-se deparado com a Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (LEEC) num dia Aberto da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).
Vim para engenharia porque queria algo mais prático, de "por as mãos na massa" (...) e escolhi o Técnico por ter prestígio e ser mais exigente. Eu gostava dessa exigência.
Maria Francisca Cabral, estudante de MEEC e coordenadora da JEEC 2026
Acabou se matricular na LEEC, motivada pela sua abrangência do curso e pela sua ligação com o ambiente de fábrica e automação de máquinas. Por outro lado, seguir esta licenciatura possibilitaria reconectar-se com o seu sonho de infância: «Eu sabia que a Engenharia Eletrotécnica incluía a robótica e achava essa parte interessante, porque podia ligar-se à área da saúde», destaca.
No entanto, a passagem para o ensino superior não correspondeu inicialmente às suas expectativas: «Eu acho que, quando entramos no Técnico, vimos com uma ideia de que somos muito bons alunos e que, por isso, vamos ter muitos boas notas, mas (..) vais ter de mudar esta ideia. Não vais ser a aluna que eras no secundário; vais ter de adaptar-te àquilo que tens agora», destaca. Realça que sentiu de imediato a necessidade de estudar mais e ser mais organizada, embora reconheça que o nível de dificuldade aumentou com a transição de semestres para períodos: «eu tive que fazer cadeiras extra no ano de transição e, depois, eram 7 semanas para estudar. Eu não estava habituada àquele ritmo de estudo tão intenso», recorda.
A JEEC ajudou-me a desligar um bocadinho do curso em momentos em que estava mais sobrecarregada e deu-me essa parte mais social, de aprender a gerir várias pessoas, lidar com diferentes personalidades e aprender que quando as coisas correm mal, continuamos lá, independentemente do que aconteça.
Maria Francisca Cabral, estudante de MEEC e coordenadora da JEEC 2026
Tendo como objetivo pertencer a núcleos de estudantes que se possibilitassem a aquisição de soft skills, decidiu juntar-se à AAUL e às JEEC do Técnico, no 1.º ano. Na AAUL integrou a equipa de relações externas e a respetiva presidência, tendo sido responsável pelo contacto com entidades externas.
Nas JEEC, começou por integrar o departamento de business, onde realizava o contacto com as empresas, o que incluía os convites, as conversações sobre os valores e mudanças na nova edição e o acompanhamento ao longo do evento. Participou no primeiro evento das JEEC após a pandemia de COVID-19, que decorreu na tenda montada no campus - algo que marcou esta edição. Maria Francisca Cabral realça que o facto de os alunos terem sido responsáveis por toda a montagem e segurança do espaço contribuiu para o espírito de equipa do núcleo.
Foi bastante emocionante (...) A montagem da tenda sempre foi bastante trabalhosa mas, no final, recompensava sempre. Acabávamos todos muito mais amigos, havia aquele espírito de união.
Maria Francisca Cabral, estudante de MEEC e coordenadora da JEEC 2026
No ano seguinte, tornou-se líder do departamento e, mais tarde, fez parte do novo departamento da JEEC: logística. «Neste departamento, arranjamos os sponsers para tudo o que seja possível para reduzir os nossos custos. Também damos a estrutura física ao evento», explica. A equipa de logística foi criada no ano em que as JEEC inauguraram Técnico Innovation Center (TIC).
Após 4 anos na organização, a estudante assumiu a coordenação do evento. «Como team leader tinha mais responsabilidade; tinha de gerir a equipa e pensar como é que as coisas iriam funciona... Dá mais trabalho, (...) mas foi motivador, pois ao fim de tantos anos tinha um papel mais importante», destaca. Foi durante este cargo que reforça ter enfrentado o maior desafio na organização do evento: o regresso ao Técnico. Após duas edições no TIC, realça que, por vezes, é necessário abdicar de algumas ideias, de forma a proporcionar a melhor experiência possível: «Queríamos que a JEEC fosse um dos maiores eventos do Técnico. (...) Ir para o TIC foi um grande passo. (...) Senti-me um bocadinho triste com a decisão de voltar ao campus.»
Acho que o maior desafio que tive foi, enquanto coordenadora, ter de “voltar para trás”, (...) mas, ao mesmo tempo, também fui a 1.ª pessoa a dizer que essa era a única hipótese de haver JEEC este ano.
Maria Francisca Cabral, estudante de MEEC e coordenadora da JEEC 2026
Embora esta edição não tenha corrido como estava inicialmente planeado, a estudante reforça que tenta sempre manter um certo espírito positivo, algo influenciado pelo gosto pela organização do evento: «há sempre aquela esperança [que cada edição seja melhor do que a anterior]. Nesse campo, tenho amor à camisola, que é as JEEC.»
Este ano, as Jornadas contaram com a habitual feira de emprego, com palestras e diversos workshops e momentos de networking com empresas. A próxima edição será organizada com base no feedback dos diferentes participantes e contará com uma nova coordenação.
Se pudesse descrever a experiência no Técnico seria “desafiadora”. Sinto que o curso em si tem me posto à prova.
Maria Francisca Cabral, estudante de MEEC e coordenadora da JEEC 2026
Atualmente, Maria Francisca Cabral está a trabalhar na sua tese de mestrado. À semelhança do que aconteceu nas JEEC, acabou por não seguir o seu plano inicial, em que ponderou seguir a área da robótica. No 3.º ano, o contacto com unidades curriculares de telecomunicações motivou-a a alterar novamente o seu percurso, optando pelo MEEC com especialização nesta área. «A minha tese tem como objetivo automatizar a deteção de erros e a sua causa em dados vindos de antenas, [o que inclui, por exemplo, perceber se] a chamada caiu, se conseguiste fazer a chamada sem interrupções, se conseguiste estabelecer a ligação entre o teu telefone e a antena rapidamente, se conseguiste transferir dados, imagens... entre outros», explica. No futuro, espera trabalhar na área de telecomunicações, mantendo também aberta a possibilidade de realizar investigação.
Se pudesse falar com o seu "eu" mais novo, afirma que lhe diria para não se preocupar tanto: «As coisas eventualmente vão acontecer da maneira que têm de acontecer, não vais ter assim tanto controlo sobre tudo», realça, relembrando um pouco de todas as mudanças e desafios enfrentando ao longo do percurso no Técnico e a importância de valorizar a saúde mental. No entanto, a passagem pela Escola veio reforçar uma capacidade que já tem desde pequena: a resiliência.
Quando eu ponho uma coisa na cabeça, ela vai até ao fim.
Maria Francisca Cabral, estudante de MEEC e coordenadora da JEEC 2026
