ElectroStars: Tiago Videira

Tiago Videira decidiu seguir engenharia motivado pelo papel fundamental desta área no desenvolvimento de soluções com impacto social. «[Para mim, a engenharia sempre consistiu em] olhar para o mundo e tentar arranjar soluções para aquilo que vemos que não está bem», refere.
Eu olhava muito para a engenharia como uma forma de resolver problemas. Ao longo do curso nós aprendemos a analisar problemas que existem na sociedade.
Tiago Videira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática
Tendo em conta algumas perspetivas de familiares e amigos, escolheu, desde cedo, combinar o ensino de duas universidades, de forma a complementar os seus conhecimentos. Optou por frequentar a Licenciatura em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações e de Computadores no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e o Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática (METI) no Técnico. Adicionalmente, devido a factores como a flexibilidade e à variedade de escolha das unidades curriculares do curso, incluindo a possibilidade de seguir a especialização na área de telecomunicações, a decisão de continuar os estudos no Técnico foi consolidada. Atualmente, possui especial interesse em seguir um percurso relacionado com redes móveis, incluindo temáticas como a implementação de protocolos de comunicação em redes 5G.
Quando questionado sobre os motivos que o levaram a entrar no Técnico apenas no 2.º ciclo de estudos, o estudante realça que foi também um pouco influenciado pela ideia de que a Escola promoveria maioritariamente um ensino teórico. No entanto, admite que a sua perspetiva sobre as unidades curriculares tem vindo a ser alterada ao longo do curso devido ao contacto frequente com a componente laboratorial.
A expectativa que eu tinha de vir para aqui era de ser tudo muito mais teórico, de aprender a teoria antes de passar para a prática, mas sinto que não está a ser nada disto. Estou a aprender muita teoria, mas também estou a ter muito contacto com a prática.
Tiago Videira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática
Como estudante de 1.º ano, destaca que o projeto mais exigente foi o desenvolvimento de um capacete inteligente para utilizadores de trotinetes - o Centurion - no âmbito da unidade curricular de redes veiculares, lecionada pela professora Teresa Vazão. Embora o trabalho, realizado em grupo, culminasse na apresentação de um protótipo funcional, Tiago Videira destaca que as maiores dificuldades foram sentidas na fase inicial, quando foi necessário procurar um problema, pensar numa solução e explicar o seu enquadramento e impacto social. «A professora Teresa Vazão incentiva-nos a fecharmos os olhos, pensarmos no que está à nossa volta e perceber que problemas que existem no nosso quotidiano, neste caso mais ligados a ambientes de estrada», explica.
Embora o grupo já possuísse uma ideia inicial para o projeto, o ponto de vista da professora sobre questões relacionadas com a finalidade e o verdadeiro impacto da solução acabou por obrigá-los a repensar o seu trabalho. «Pensámos que, hoje em dia, tanto o número de acidentes como o de trotinetes está a aumentar (...) e é um caso preocupante», refere.
Acho que a parte mais desafiante foi o início porque foi a fase de pensar fora da componente técnica.
Tiago Videira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática
Esta visão transversal foi também fomentada através da BEST Entrepreneurship Experience, onde os estudantes foram desafiados a desenvolver modelos de negócio e a partilhá-los com um júri: «Eu acho que nós não ganhámos pelo produto que apresentámos, mas pela forma como apresentámos», destaca, reforçando que, por vezes, a diferenciação de um projeto pode ser marcada tanto pela interação que é promovida com o público, incluindo fatores como o ponto de vista do utilizador e das empresas que poderão estar envolvidas nas diferentes partes do processo, como, por exemplo, na escolha de materiais, como pelo próprio ritmo do discurso. «Acho que a minha comunicação evoluiu nesse evento porque tivemos de falar com muita gente», realça.
Por outro lado, o estudante destaca que esta capacidade de comunicação foi também estimulada durante a sua participação na última edição das Jornadas de Engenharia Tecnológica. «Foi a 1.ª vez que estive numa feira de emprego organizada na faculdade e foi muito giro. Eu fiz parte da equipa de logística e gostei tanto da parte da organização como do resultado final», afirma, acrescentando que teve a oportunidade de aprender sobre as dificuldades que existem no planeamento de eventos, desde o contacto de fornecedores à comunicação entre departamentos.
Eu sinto que nós, aqui no Técnico, temos muitas oportunidades. Nós só não fazemos nada, além das aulas, se não quisermos. Temos núcleos, feiras... tudo.
Tiago Videira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática
Além da participação nestas atividades extracurriculares, Tiago Videira foi trabalhador estudante durante o início do mestrado, algo que contribuiu também o desenvolvimento da sua capacidade de escuta ativa: «Sempre fui uma pessoa muito reativa, sinto isso, e ao entrar no mundo do trabalho aprendi ouvir e a observar mais. As opiniões são bem-vindas mas têm o tempo e o espaço delas», refere. Adicionalmente, o estudante reforça que ser trabalhador estudante implica também uma melhor gestão do tempo, tendo em conta a organização do estudo individual, as aulas e a elaboração de trabalhos. «Não é difícil ter boas notas, agora para quem começar a perder a noção do tempo, com os testes, trabalho e estudo, é impossível. Não dá para “fechar um bocadinho os olhos”», acrescenta, chamando a atenção para a importância de os estudantes acompanharem o trabalho realizado nas aulas.
Eu acredito que toda a gente é capaz de fazer tudo, não precisam de ter uma vocação, uma aptidão para certa coisa. Se a pessoa quiser mesmo aquilo, vai fazê-lo.
Tiago Videira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática
Se pudesse descrever a sua passagem pelo Técnico numa palavra, Tiago Videira afirma que seria «enriquecedora», devido às diversas oportunidades que existem dentro da comunidade académica: «[através dos núcleos e de outras atividades extracurriculares], conheces pessoas novas, perspetivas diferentes e isso enriquece-nos enquanto pessoas e enquanto profissionais no futuro», destaca.
Quando questionado sobre se motivaria um estudante a vir para o Técnico, Tiago Videira afirma que que a resposta seria positiva, acrescentando que lhe diria para acreditar mais em si mesmo: «Sinto que, falando com irmãos mais novos de outras pessoas, existe esse medo de dar o passo a seguir, de dar um passo errado na transição do ensino secundário para a faculdade. Eu acho que se deve acreditar e seguir aquilo de que se gosta. Se não for aquele o momento certo, não faz mal. Não perdemos nada em sair e experimentar outra coisa», refere.
