Seminário: Da Verificabilidade Individual ao Voto Universalmente Verificado como Depositado Conforme a Intenção

Na próxima semana continuamos com a série de seminários sobre Segurança & Privacidade no INESC-ID. Se estiver interessado(a) nas atividades da área temática de Segurança & Privacidade, junte-se através do link: https://mattermost.inesc-id.pt/signup_user_complete/?id=eptffb51ii81mqrak34m991roy&sbr=su
Seminário: Da Verificabilidade Individual ao Voto Universalmente Verificado como Depositado Conforme a Intenção
Professor Peter Ryan
Universidade do Luxemburgo
https://www.uni.lu/en/people/peter-y-a-ryan/
Resumo:
A verificabilidade pontoo-a-ponto tem sido, desde há muito, o santo graal na procura de eleições comprovadamente fiáveis. O objetivo é garantir que os sistemas eleitorais geram evidência suficiente, ao longo de uma eleição, para permitir que eleitores e observadores detetem qualquer corrupção dos votos.
Têm sido propostos muitos esquemas deste tipo, que tipicamente envolvem determinados tipos de verificações que apenas podem ser realizadas pelos eleitores, e não por outros observadores. Estas chamadas auditorias “individuais” incluem auditorias aos boletins de voto, verificações de que o voto foi registado conforme a intenção (cast-as-intended) e a confirmação da presença do boletim no boletim eletrónico, registado como depositado.
Fazer dos eleitores a base da confiança, em vez de confiar em funcionários, fornecedores, código, etc., é naturalmente louvável. No entanto, as auditorias individuais impõem um ónus aos eleitores que é difícil de justificar. A maioria dos eleitores prefere simplesmente votar e sair e, na prática, poucos realizam quaisquer verificações. Isto é problemático porque, se um número insuficiente de eleitores realizar essas verificações com diligência suficiente, a eleição não pode ser considerada verificada, mesmo que seja conduzida num sistema verificável.
Aqui descrevemos construções que permitem que as auditorias individuais sejam delegadas em auditores e observadores independentes, transformando verificações individuais em verificações universais. Deixa de existir a necessidade ou expectativa de que os eleitores realizem auditorias aos boletins de voto (embora essa opção continue disponível).
Isto contribui para uma melhoria da usabilidade e da aceitabilidade. Garante que as eleições sejam plenamente verificadas, e não apenas verificáveis.
As auditorias aos boletins de voto assumem a forma de verificação de assinaturas criptográficas, em vez da verificação de encriptações, evitando a necessidade de revelar fatores de aleatoriedade, entre outros. Para maior transparência e usabilidade, os boletins apresentam ao eleitor uma versão em texto claro do voto. A resolução de disputas é melhorada, uma vez que a auditoria dos boletins se resume à verificação de assinaturas.
Referências Principais:
1- MOSAHEB, R., ROENNE, P., RYAN, P. Y. A., & Sarfaraz, S. (2025). Direct and Transparent Voter Verification with Everlasting Receipt-Freeness. In D. Duenas-Cid (Ed.), Electronic Voting - 9th International Joint Conference, E-Vote-ID 2024, Proceedings. Springer Science and Business Media Deutschland GmbH. doi:10.1007/978-3-031-72244-8_8
https://hdl.handle.net/10993/63432
2- Damodaran, A., Rastikian, S., ROENNE, P., & RYAN, P. Y. A. (2025). Hyperion: Transparent End-to-End Verifiable Voting with Coercion Mitigation. In V. Nicomette (Ed.), Computer Security - ESORICS 2025 - 30th European Symposium on Research in Computer Security, 2025, Proceedings. Springer Science and Business Media Deutschland GmbH. doi:10.1007/978-3-032-07891-9_7
https://hdl.handle.net/10993/66956
3- RYAN, P., Demirel, D., Henning, M., van de Graaf, J., & Buchmann, J. (2013). Prêt à Voter providing everlasting privacy. Lecture Notes in Computer Science, 165-220. doi:10.1007/978-3-642-39185-9_10 https://hdl.handle.net/10993/25426
Quando: Quinta-feira, 8 de janeiro, às 15h
Onde: INESC-ID Alves Redol, Auditório (sala 9)
