DEEC TALK | i.Talks com a Brisa

No dia 16 de setembro decorreu a sessão "Da investigação à aplicação: novos caminhos com a Brisa", organizada em parceria com o Núcleo de Parcerias Empresariais (NPE) e com a Brisa. Durante o evento, foram discutidos temas como o impacto da tecnologia na análise de transportes especiais e na redução da pegada hídrica, a utilização de inteligência artificial na transição circular e o recurso a gémeos digitais para a tomada de decisões de manutenção, recondicionamento e reutilização de ativos.

Pedro Amaral, vice-presidente para a interface empresarial, inovação e empreendedorismo do Técnico

A sessão contou com a presença de Pedro Amaral, vice-presidente para a interface empresarial, inovação e empreendedorismo do Técnico, que começou por destacar a importância da parceria entre o Técnico e a Brisa na implementação de novas soluções a curto prazo e na partilha de conhecimento entre academia e a indústria.

Cláudia Machado, representante da Leading AHEAD: Innovation Engine for Mobility da Brisa

De seguida, João Portela, Executive Director at Brisa Infrastructure & Operation da Brisa, destacou que atualmente a indústria enfrenta desafios a nível multidisciplinar, refletindo a importância da tecnologia nos diferentes setores da empresa. Cláudia Machado, representante da Leading AHEAD: Innovation Engine for Mobility da Brisa, complementou a intervenção sublinhando o papel desta parceria no reforço da ligação entre a Escola e o ambiente empresarial.

Beatriz Mendes, coordenadora do Núcleo de Parcerias Empresariais

Beatriz Mendes, coordenadora do Núcleo de Parcerias Empresariais, começou por explicar que o protocolo, estabelecido entre a Brisa e o Técnico, inclui atualmente a organização de atividades que visam a aproximação entre a empresa e os estudantes, incluindo a atribuição de prémios de mérito e de bolsas de estudo, a presença em feiras de emprego e em sessões como as i.Talks e a participação em projetos de Investigação e Desenvolvimento (I&D), incluindo a realização de dissertações de mestrado em ambiente empresarial.

Após a introdução sobre a iniciativa, foram abordados quatro temas principais: a tecnologia utilizada em transportes especiais, a avaliação e otimização da pegada hídrica, o uso de inteligência artificial para a transição circular e a criação de gémeos digitais para manutenção, recondicionamento e reutilização de ativos.

Carlos Canha, Structural Engineer & Project Manager da Brisa

A primeira apresentação foi realizada por Carlos Canha, Structural Engineer & Project Manager da Brisa, e incluiu o contexto regulatório, o software utilizado atualmente para análise de transportes especiais e os desafios na área. "Um transporte especial, neste contexto, é um transporte rodoviário que, quer pelas suas dimensões, quer pela sua carga excede os limites convencionais. Tem de ser tratado de forma diferente. Na prática, pode ser o transporte de turbinas eólicas, parte de tabuleiros de viadutos ou postes de transformação (...). A carga envolvida, às vezes, chega a exceder as 200 toneladas", referiu Carlos Canha. Em termos regulatórios, os veículos convencionais podem pesar até 60 toneladas, no total, e até 12 toneladas por eixo, sendo necessária uma autorização especial para o transporte acima destes valores.

Atualmente, é utilizado um software que recorre a dados sobre as características carga e do trajeto e realiza o cálculo que relaciona o nível de sobrecarga das infraestruturas com a carga do transporte especial. Este cálculo tem como objetivo contribuir para a realização do transporte em condições de segurança. No entanto, este sistema apresenta algumas limitações não considerando, por exemplo, o estado de conservação da estrutura, sendo necessário proceder à análise por parte de um técnico. Por este motivo, Carlos Canha convidou a comunidade do Técnico a refletir sobre o desafio de incluir esta componente no processo, contribuindo também para a obtenção dos dados relativos às anomalias que possam existir nas infraestruturas e aos danos causados em consequência do transporte. Por outro lado, deixou também a proposta de reflexão em relação à otimização do cálculo utilizado.

De momento, encontra-se em fase de desenvolvimento um sistema que preencha alguns dados, como as cargas e o trajeto referentes ao pedido de transporte, de forma automática, dependendo apenas da validação final e da decisão do parecer do técnico responsável pelo processo.

Conceição Magalhães, Deputy Director da Brisa

A segunda apresentação foi realizada por Conceição Magalhães, Deputy Director da Brisa, que começou por salientar a necessidade de serem adotadas práticas transparentes que contribuam para a otimização de recursos hídricos, devido à atual escassez de água. "A Brisa tem na sua agenda de sustentabilidade, dentro dos seus objetivos estratégicos, um objetivo que é promover a redução do consumo de água em 40% até 2028, tendo como base o ano de 2022. Aqui, o nosso desafio é como é que poderemos quantificar e otimizar a nossa pegada hídrica garantindo que vamos ao encontro da redução de custos e do impacto ambiental dessa mesma pegada", referiu. Atualmente, a empresa quantifica o respetivo consumo através de contadores inteligentes, não sendo contabilizada a utilização de água na prestação de serviços de interlocutores. Por outro lado, embora já existam perspetivas para a melhoria de alguns parâmetros, ainda não são conhecidos os fatores que contribuem de forma mais acentuada para a respetiva pegada hídrica. Desta forma, os principais desafios passam pela quantificação do consumo total, pela identificação de gastos, pela melhoria de procedimentos e da tomada de decisões, pela avaliação do impacto ambiental e económico das novas estratégias adotadas e pela implementação de um novo plano geral.

A nível da sustentabilidade, a Brisa tem também como objetivo transitar para uma economia circular e atingir, melhorando consideravelmente a sua posição em relação à economia circular até 2028, em relação aos dados de 2022. Neste sentido, é necessário proceder à avaliação da gestão de resíduos decorrentes da atividade própria da empresa, incluindo na utilização das infraestruturas.

Conceição Magalhães convidou a comunidade do Técnico a explorar novas estratégias que, através do recurso a inteligência artificial, possam contribuir para a recolha e tratamento de dados que sirvam de base para a identificação de oportunidades dentro desta área. Entre as áreas de investigação e da realização de projetos, destacou o mapeamento do fluxo de resíduos, de energia e de recursos hídricos de uma forma digital, a identificação de atividades com maior desperdício de recursos e materiais, a identificação de de oportunidades de valorização ou de reciclagem disponíveis e a previsão dos gastos de matéria-prima e de produção de resíduos.

Por último, a oradora abordou também a utilização de gémeos digitais, no âmbito da economia circular no recondicionamento e reutilização de ativos. Atualmente, a tomada de decisões sobre a manutenção, reutilização e substituição das infraestruturas tem como base dados estáticos, provenientes de inspeções técnicas periódicas. Desta forma, os desafios passam pela obtenção e análise de dados em tempo real que contribuam para a avaliação do estado e da vida útil dos ativos, incorporando métricas de circularidade e tendo em conta a redução de gastos e o desempenho técnico e económico.

Professor António Pacheco Pires

A última apresentação foi realizada pelo professor António Pacheco Pires, coordenador do Programa Doutoral em Estatística e Matemática de Dados. Ao longo dos últimos anos, o professor tem desenvolvido projetos relacionados com a obtenção e disponibilização de dados em tempo real, o tratamento estatístico e a identificação de padrões em conjuntos de dados, tendo em conta o comportamento dos utilizadores de sistemas em diferentes cenários, no âmbito do atendimento público.

O evento terminou com um momento de networking entre os participantes, que promoveu o debate sobre as novas iniciativas que poderão ser promovidas entre o Técnico e a Brisa.

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