Docentes do DEEC lideram equipa portuguesa do projeto European Processor Iniciative

O projeto European Processor Iniciative desenvolveu com sucesso o primeiro processador europeu, algo que constitui um marco na autonomia do continente na área da computação. O projeto integra mais de vinte nacionalidades, tendo envolvido o investimento de 150 milhões de euros, desde 2018. A equipa portuguesa é liderada por Leonel Sousa, investigador no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento (INESC ID) e conta com o contributo dos professores Pedro Tomás, Nuno Roma, Aleksandar Ilic e do investigador Nuno Neves. Além dos docentes, a inciativa integra também o trabalho desenvolvido por diversos estudantes de mestrado e doutoramento O projeto incluiu o desenvolvimento de equipamentos que permitissem monitorizar e avaliar o funcionamento dos sistemas e o processo de instrumentação envolveu implementação tanto de hardware como de software.
Ficamos agora com centros de computação de alto desempenho [High Performance Computing (HPC)] capacitados para realizar operações em larga escala.
Leonel Sousa, docente do DEEC e investigador no (INESC ID)
Leonel Sousa destaca que o European Processor Iniciative tem como objetivo desenvolver processadores que possam a longo prazo, equipar centros de computação de alto desempenho – a chamada exascale, na ordem de 1018 operações efetuadas por segundo (1.000.000.000.000.000.000, ou um trilião, equivalente a ‘um milhão de biliões’). No entanto, um dos problemas da exascale é a escala do consumo de energia que estes sistemas exigem.
“Os processadores são o ‘cérebro’ da computação – se um dia a Europa não tiver autonomia ao nível dos computadores, não terá autonomia ao nível da computação”, destaca Leonel Sousa, acrescentando que, sem eles, “não há modelos climáticos, não há simulações de novas moléculas para novos fármacos, não há AMALIA… os processadores são fundamentais nessas aplicações”. Por este motivo, o docente defende que “o que o país ganha [destas aplicações] é muito mais do que o país paga – estas são coisas essenciais para a economia”. “O futuro passa por estas tecnologias, não pela atividade de baixo valor acrescentado”, conclui.
Na sequência do sucesso do trabalho desenvolvido, iniciou-se entretanto um novo projeto de seis anos e 250 milhões de financiamento: o DARE. Esta iniciativa centra-se na expansão da gama de equipamentos europeus produzidos no domínio da computação de alto desempenho, tendo como foco o desenvolvimento de processadores e aceleradores (um tipo de processador especializado, com rendimento energético superior, dedicado a tarefas mais específicas e muito usado em aplicações de inteligência artificial).
Notícia e fotografia: Técnico
