ElectroStars: Henrique Pocinho

Hoje partilhamos a entrevista a Henrique Pocinho, alumnus do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (MEEC) e líder do IEEE Student Branch do Técnico. Ao longo do seu percurso, integrou a HackerSchool, esteve associado ao INESC-MN e ao INESC-ID, foi teaching assistant e fundou o IEEE CAS/SSCS (Circuits and Systems/Solid-State Circuits Societies) do Técnico.
Desde cedo, soube que queria seguir engenharia. Durante o curso, surgiu a oportunidade de acompanhar um pouco da investigação desenvolvida no INESC-MN, tendo participado na caracterização de nanogeradores triboelétricos (materiais que geram energia através de eletricidade estática), no âmbito de uma tese de doutoramento. Mais tarde, integrou também um projeto, desenvolvido por uma estudante de doutoramento de arquitetura, que incluía a monitorização, em tempo real, do estado de edifícios. Tendo como ponto de partida a ocorrência de cenários como o incêndio na catedral de Notre-Dame, em Paris, a iniciativa visava a deteção precoce de situações de risco e a obtenção de digitalizações tridimensionais (3D), criando um registo detalhado dos traços originais, para a reconstrução de estruturas em caso de dano.
Após a participação nestes projetos, o estudante transitou para o INESC-ID, juntando-se também à Silicon Gate, uma empresa especializada na gestão de energia em circuitos integrados, no âmbito do desenvolvimento da sua dissertação de mestrado. O seu trabalho consistiu no desenvolvimento de um amplificador para sinais, como a tensão e a corrente, que contribuísse para a melhoria dos processos de teste e caracterização de circuitos eletrónicos. «A minha tese surge no sentido de, alguma forma, colmatar algumas limitações físicas que existem, criando uma solução customizada para aquelas aplicações: é um amplificador, um instrumento de bancada, com características superiores àqueles que existem atualmente no mercado», refere.
A eletrónica é uma área de que sou fã desde bastante novo, portanto, [na transição para o mestrado], não houve uma escolha, foi algo óbvio. (...) A parte que eu mais gosto é a parte do teste e caracterização: dão-te uma caixinha preta para as mãos e tu tens de perceber que algo não está certo, descobrir o que é e justificar.
Henrique Pocinho, líder do IEEE Student Branch do Técnico
No entanto, o entusiasmo pela eletrónica não se refletiu apenas na vertente de investigação e produção académica. Tendo em consideração algumas das dificuldades experienciadas pelos estudantes nas unidades curriculares desta área e influenciado pela vontade de contribuir para o seu processo de aprendizagem, decidiu tornar-se teaching assistant no DEEC. «No ensino secundário, o problema "A" tem uma forma de resolução "B", ou seja, dá para resolvê-lo aplicando aquela fórmula», realça, reforçando que grande parte dos obstáculos na aprendizagem têm origem na diferença entre o raciocínio desenvolvido durante o ensino secundário e a forma de pensar exigida no Técnico: em eletrónica, a estratégia de resolução tende a ser mais aberta, não se traduzindo apenas na aplicação direta de fórmulas matemáticas, algo que requer uma nova visão sobre os problemas.
A complexidade não advém da dificuldade matemática ou conceptual do sistema, mas sim das simplificações que podem ser feitas.
Henrique Pocinho, líder do IEEE Student Branch do Técnico
Por outro lado, a vontade de desmistificar a complexidade da área e de partilhar o seu interesse pela mesma com outros estudantes levou-o também a criar o grupo estudantil IEEE CAS/SSCS - Sociedades de Circuitos e Sistemas e de Circuitos de Estado Sólido: o 1.º grupo estudantil do Técnico dedicado exclusivamente à área da eletrónica. «Qualquer estudante membro do IEEE pode criar um chapter estudantil (...) e foi no final do 3.º ano que isto surgiu: foi o reparar no facto de que iam poucas pessoas para esta área de especialização; considerámos que existia uma falha muito grande», realça.
O núcleo começou por fazer atividades de divulgação dirigidas à comunidade académica, como as IEEE MSc and PhD MicroEletronics Talks, onde estudantes de mestrado e doutoramento são convidados a partilhar a sua investigação, tendo posteriormente apostado também na promoção de workshops para outros públicos, como estudantes do ensino secundário, e na concretização de projetos como o MESA.
Na sequência da criação deste grupo, Henrique Pocinho assumiu, em 2025, liderança do IEEE Student Branch do Técnico.
O meu papel é a gestão. Eu vou falando individualmente com os responsáveis de cada grupo, vendo as necessidades de cada um e vou tentando coordenar com o resto da direção do IEEE SB o que é que nós podemos fazer para os ajudar e que eventos podemos organizar que saiam fora do âmbito dos grupos individuais.
Henrique Pocinho, líder do IEEE Student Branch do Técnico
Atualmente, o grupo integra cinco chapters: o CAS/SSCS, o RAS (Robotics and Automation Society), dedicado à área da robótica, o EMBS (Engineering in Medicine and Biology Society), especializado em engenharia biológica e biomédica, o WIE (Women in Engineering), que organiza atividades relacionadas com a divulgação de iniciativas desenvolvidas por mulheres, nas diferentes áreas da ciência, engenharia e tecnologia, e o CS (Computer Society), direcionado para a área de computadores e informática.
Este ano, o IEEE SB do Técnico foi responsável pela organização da local board meeting, que reuniu membros dos grupos estudantis de várias universidades do país, do IEEE Portugal e de profissionais da indústria, promovendo o networking e a partilha de contactos, áreas de investigação e de conhecimentos, entre os diferentes tipos de participantes.
No que diz respeito a projetos, Henrique destaca que os estudantes estão a trabalhar no protótipo que irá participar na competição MicroRato, no próximo ano, na Universidade de Aveiro. Nesta competição, os participantes são desafiados a desenvolver um robô capaz de percorrer um labirinto no menor tempo possível. «Existem dois modos: a modalidade às cegas, onde o rato começa num ponto e tem de chegar ao outro, explorando o espaço à medida que vai avançando no labirinto, e o modo com planeamento, onde o rato tem um determinado período de tempo para explorar e memorizar o mapa», explica Henrique Pocinho.
Acho que, [durante o meu percurso no Técnico], o meu maior desafio foi a gestão do tempo, a priorização de algumas tarefas e o saber quando parar. Existem tarefas prioritárias e, para tudo aquilo que não foi feito, amanhã também é dia.
Henrique Pocinho, líder do IEEE Student Branch do Técnico
Em conclusão à entrevista, quando questionado sobre quais os desafios que enfrentou ao longo do seu percurso, Henrique Pocinho destaca a dificuldade sentida, de uma forma inicial, na gestão do tempo, tendo em conta a participação nas atividades extracurriculares, a vida académica, a investigação e os momentos de descanso, algo que resultou no desenvolvimento da sua capacidade de planeamento.
Por outo lado, realça que a passagem pelo Técnico contribuiu também para a consolidação da sua proatividade. «É necessário não ter medo de tomar decisões», sublinha, relembrando que este pensamento esteve presente tanto na fundação do IEEE SB CAS/SSCS, como também durante o desenvolvimento de projetos, de uma forma transversal.
[Se pudesse descrever a minha passagem pelo Técnico numa palavra, seria] "transformadora". Foi um desafio, mas quem corre por gosto não cansa.
Henrique Pocinho, líder do IEEE Student Branch do Técnico
Atualmente, Henrique Pocinho frequenta um doutoramento em duplo grau, que envolve o Técnico e a Universidade de Macau. No futuro, gostaria de ser professor universitário.
