ElectroStars: Inês Costa

Hoje partilhamos a entrevista a Inês Costa, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (LEEC). O seu percurso tem sido marcado por diversas atividades, desde a organização de eventos à participação em projetos.

Durante o ensino básico e secundário, a escolha do curso não foi algo linear. Embora os pais sejam ambos engenheiros eletrotécnicos, ao longo da sua infância e adolescência a estudante realça que foi também encorajada a explorar áreas artísticas, frequentando atividades relacionadas com a música desde muito nova. «Houve altura em que eu queria ser pianista», relembra. O seu percurso escolar incluiu uma formação mista, envolvendo as aulas do ensino regular e da Escola Artística de Música do Conservatório Nacional. Ainda na vertente das artes, cultivou também a paixão pelo desenho e design gráfico, chegando a ponderar seguir arquitetura.

No entanto, paralelamente a estas áreas, crescia também o gosto pelas ciências, em particular por disciplinas como física e matemática.

Eu experimentei imenso e é também o que eu estou a fazer agora. Acho que esta é a melhor forma de decidir o que eu quero.

Inês Costa, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores

Devido ao interesse pelas diferentes áreas, optou por visitar várias universidades, em dias abertos à comunidade, e participar em atividades como o Verão na ULisboa. O seu objetivo passava por conhecer melhor os cursos e as profissões que poderia vir a seguir. Além destas atividades, durante o ensino secundário, participou nas etapas internacionais das olimpíadas da física e das olimpíadas da matemática, algo que lhe ofereceu a possibilidade de frequentar programas de preparação para as competições nestas áreas. Desta forma, teve os primeiros contactos com matérias lecionadas no ensino superior, como eletromagnetismo, mecânica e ótica.

Após descobrir também o gosto pela programação e analisar que curso incluiria as três áreas, decidiu candidatar-se à LEEC, no Técnico. «Mesmo apesar do seu lado difícil, eu não me via noutra faculdade. (...) Tenho aprendido imenso, até a lidar comigo própria e com os desafios. Gosto genuinamente de estar neste curso, não me arrependo [te ter escolhido a LEEC no Técnico]», realça. Destaca que a passagem pela Escola tem incluído oportunidades para explorar diversos caminhos.

[Durante a EIA] tínhamos mesmo de fazer um protótipo, todo o marketing relacionado com isso, a gestão financeira, (...) a parte legal e de propriedade intelectual, e depois tínhamos de apresentar a nossa startup, que foi desenvolvida em 3 semanas, para investidores e júris.

Inês Costa, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores

Entre as atividades extracurriculares, Inês Costa participou na European Innovation Academy (EIA), um programa de 3 semanas que desafia os participantes, de diferentes nacionalidades, a criarem a sua própria startup, com o apoio de especialistas na área. A sua equipa criou um sistema que verificava se os modelos de inteligência artificial utilizados pelas empresas respeitavam os regulamentos legais, se tinham em conta o máximo de dados possível, promovendo a igualdade, e se não apresentavam riscos éticos.

Além do desenvolvimento de um protótipo, a estudante destaca que foi neste programa que aprendeu «mais coisas que não estavam relacionadas com o curso», em vertentes do empreendedorismo como a criação de um plano de negócios, a gestão da progressão financeira do projeto e o enquadramento do público-alvo.

Após esta experiência, Inês Costa apercebeu-se de que o contacto com especialistas da indústria poderia também contribuir para a motivação dos colegas pelo curso. Por este motivo, decidiu juntar-se à equipa responsável pela organização de palestras e workshops das Jornadas de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Técnico.

Acho que existem imensas pessoas que entram em Engenharia Eletrotécnica porque não entraram noutros cursos. Ficam um bocado frustradas e, ainda por cima, o curso não é fácil. Eu quero mostrar que a Engenharia Eletrotécnica tem imensas vertentes. É algo em que eu genuinamente acredito.

Inês Costa, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores

Por outro lado, devido à diferença de género que persiste, atualmente, em termos numéricos, na engenharia eletrotécnica e de computadores, a estudante realça que é também necessário criar eventos dedicados à divulgação do contributo de mulheres nesta área: «eu tive a possibilidade de organizar o EmpowHER e ter esse testemunho e organizar esse evento onde é possível ver que, de facto, há mulheres que conseguem ter sucesso na área de engenharia e desenvolver tudo aquilo que querem, para mim é bastante importante», sublinha.

No que diz respeito a projetos, Inês Costa participou, em conjunto com outros colegas, no desenvolvimento de um sistema de voz destinado a populações idosas, capaz de realizar atividades que estimulassem o cérebro dos utilizadores, como contar histórias ou emitir lembretes, e na criação de um robô que contribuísse para a reflorestação de terrenos. A última inciativa alcançou o 3.º lugar no pódio no Sustainable Innovation Challenge, promovido pela Escola Politécnica Federal de Lausana.

No 1.º ano, fez também parte do departamento de eletrónica e software do RED (Rocket Experiment Division), que integra o núcleo de Estudantes de Engenharia Aeroespacial do Técnico (AeroTé), onde aprendeu como são construídos e programados os sistemas eletrónicos de rockets. No entanto, a vontade de aprender também sobre outras áreas, mantedo o rendimento académico e os seus hobbies pessoais, levaram-na a tomar a decisão de sair da equipa.

Eu nunca largo os meus hobbies. (...) Uma coisa bastante importante para mim é fazer prioridades. Onde eu gasto tempo é dinheiro: se estou a gastar a minha energia, gasto-a nas coisas que priorizo mais e saber porque é que estou a fazer o que estou a fazer dá-me motivação.

Inês Costa, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores

Embora já tenha concluído a formação musical, a estudante continua ligada a esta área através de aulas de piano e de momentos dedicados ao coro do conservatório. «Vou continuar com essa vertente de música porque isso é uma parte de mim. É algo bastante importante, e eu quero continuar porque é sempre uma boa forma de me desenvolver», refere.

Para Inês Costa, a música é mais do que um hobby. Além da paixão pela área, o facto de, até ao 1.º ano do ensino superior, frequentar uma formação mista contribuiu também para melhorar as suas capacidades de concentração e de planeamento. «Essa vertente que eu tinha, mesmo durante o secundário e no ensino básico, de ter de conciliar as duas coisas obrigou-me a ter uma organização e uma gestão de tempo bastante boa, de forma a conseguir conciliar as duas coisas, com o esforço que eu queria dar a cada uma através de uma agenda», recorda.

Quando questionada sobre os verdadeiros desafios vividos na Escola, a estudante realça a dificuldade sentida no ensino, durante o último ano: «tenho de me esforçar mais. É mais difícil, e acho que o Técnico é um teste de resistência», refere. Realça que, se pudesse dar um conselho a um estudante mais novo, recomendaria ingressar na Escola com motivação: «diria "vai, mas tem em atenção que tens de gostar mesmo daquilo". Acho que é uma experiência super gira, mas não é algo fácil», sublinha. Reforça que, ao longo do curso, existirão sempre dúvidas e dificuldades, mas que o que importa é não baixar os braços. Em conclusão à entrevista, a estudante relembra o mote de Mário Soares, antigo Presidente da República: «só é vencido quem desiste de lutar».

Vem, diverte-te, experimenta o máximo que consegues para perceber exatamente de que gostas e é normal se não conseguires algo à 1.ª vez.

Inês Costa, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores

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