ElectroStars: José Oliveira

José Oliveira, atualmente estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática, soube desde cedo que queria seguir um caminho relacionado com desenvolvimento científico: «Eu sempre tive afinidade com as coisas físicas, tecnológicas. Gostava de me sentar e de tentar entender como é que as coisas funcionam», recorda.

No entanto, a passagem para o ensino superior não foi um processo fácil. Entrou em Engenharia Eletrónica e, na segunda fase do concurso nacional de acesso, transitou para Engenharia de Telecomunicações e Informática. «Entrei na licenciatura “aos trambolhões”», refere, recordando que continuou a sentir-se dececionado por não ter entrado na sua 1.ª opção (Engenharia Informática e de Computadores), algo que influenciou a sua postura em relação ao curso.

Por outro lado, refere que a mudança no modelo de ensino também teve impacto na sua adaptação: «principalmente com a divisão em períodos, era tudo muito rápido, muito intenso, e também é a primeira vez na tua vida que tu tens esta possibilidade de ir à aula ou não, de estudar para este exame ou ir a recurso... são muitas as decisões que te "atiram para o colo" ao mesmo tempo», destaca.

Toda a gente sabe o que tem de fazer, mas parece que na prática não conseguimos. Tens de aprender o que é, na prática, ter essa força.

José Oliveira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática

Além destes fatores, acrescenta também que «as pessoas entram com a perspectiva errada no Técnico». Destaca que é necessário desconstruir mitos como a ideia de que a Escola é demasiado difícil, de que «o curso se faz no recurso» ou de que não é necessário obter classificações elevadas. «Eu sinto que este tipo de pensamento não ajudou no meu processo e aprendi a lição de que se prestar atenção às aulas e acompanhar as matérias é mais fácil», refere.

Ao longo do seu percurso, José Oliveira realça que foi necessário «sentar-se consigo mesmo», refletir sobre a sua perspetiva da vida académica e mudar de postura. «Passei a ficar muito mais motivado, muito mais grato por estar no Técnico», afirma. Hoje, valoriza também a importância dos próprios colegas, uma vez que são futuro da engenharia e poderão vir a desenvolver diversos projetos com impacto social. «O Técnico vai ensinar-te muitas coisas. Nós temos dos melhores professores de Portugal, o curso está bem organizado, as decisões sobre as matérias que são lecionadas são boas... Vais terminar a tua licenciatura e saber muito mais do que aquilo que tu achas. Se tu quiseres ser engenheiro, o Técnico é o sítio para ti», sublinha.

Acho que, no momento em que eu consegui reencontrar o meu centro, o meu norte, esta paixão que eu tenho, o processo correu melhor. Fiquei em telecomunicações e agora não me consigo imaginar noutro tipo de engenharia.

José Oliveira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática

«Em retrospectiva, acho que as pessoas saem do secundário sem se conhecerem [a si próprias] e sem saberem aquilo que querem fazer realmente», destaca. Atualmente, o estudante sublinha que reconhece a importância dos conhecimentos obtidos nas aulas. O seu gosto pela área de telecomunicações cresceu e frequenta o mestrado com especialização na área. «Tenho adorado as minhas cadeiras de telecomunicações. São desafiantes e aprendo coisas práticas que me dão imenso gosto», afirma, acrescentando que também tem cultivado o interesse na área da segurança informática através do contacto com as unidades curriculares escolhidas no 2.º ciclo.

Dentro da área de telecomunicações, tem particularmente interesse no ramo de redes de comunicação móvel, devido à sua relevância em contextos reais, como na utilização de protocolos de comunicação através de wi-fi, bluetooth, redes celulares e 5G. É neste setor que espera vir a desenvolver a sua tese, no próximo ano. «Acho que telecomunicações é uma área cheia de oportunidades, de projetos e de vida. Há muito desenvolvimento a ser feito, seja na área de redes veiculares, redes móveis, redes para catástrofes... entre outros», realça.

Por outro lado, além de valorizar a importância da tecnologia no quotidiano, o estudante destaca que o seu entusiasmo pelo curso cresceu ao refletir sobre os pontos que são comuns aos vários tipos de engenharia.

Eu acho que nunca tinha pensado na dimensão do pensamento do engenheiro. (...) Todas as engenharias se baseiam no mesmo: em cálculo, estatística, física... Partilho o conhecimento base com quem desenha pontes e aviões.

José Oliveira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática

Ao longo do tempo, influenciado pelo reencontro com a sua paixão pelo curso, destaca que passou também a estar mais motivado para desenvolver atividades extracurriculares. Embora durante a licenciatura não se sentisse preparado para enfrentar novos desafios, tendo chegado a sentir a síndrome do impostor, durante a transição para o 2.º ciclo de estudos ganhou uma nova visão sobre a participação em iniciativas além das aulas. «Mesmo quando [a licenciatura] começou a correr bem não estava com coragem para fazer coisas fora. Foi no 1.º ano do mestrado que me sentei comigo mesmo e pensei: tu tens 2 anos para aproveitar todas estas possibilidades que estar na universidade te oferece», recorda, sublinhando que o Técnico proporciona diversas oportunidades, desde a participação em programas como ATHENS ao envolvimento em eventos como o Jornadas da Engenharia Tecnológica (JET).

Nas JET, integrou a equipa de suporte informático e foi responsável pela resolução de problemas no site antes e durante o evento, contribuindo para a criação de soluções personalizadas de acordo com as necessidades das empresas e dos participantes. Realça que, ao longo da experiência, ganhou uma nova perspetiva sobre as relações humanas no âmbito da organização deste tipo de iniciativas, tendo adquirido conhecimentos sobre logística, como, por exemplo, os prazos necessários, e de comunicação.

Este ano pensei "eu tenho de me desafiar". Tem sido difícil, mas tem dado muitos frutos. Tem sido gratificante.

José Oliveira, estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática

Além das JET, decidiu também participar no BEST Entrepreneurship Experience, juntamente com Afonso Mendes e Tiago Videira. Ao longo do evento as equipas foram desafiadas por empresas, como a Navictus, a refletir sobre problemas reais e a criar soluções inovadoras. No final, a sua equipa, Bee Vision, saiu vencedora com o projeto NetCatch. José Oliveira foi responsável pela apresentação do pitch sobre o mesmo. Durante a sua participação, sublinha que ganhou consciência sobre a importância de factores como a estrutura do modelo de negócio desenvolvido. «Foi muito enriquecedor e sinto-me motivado para me desafiar novamente no futuro com atividades extracurriculares deste género», afirma.

Embora, anteriormente, nunca tenha pensado em seguir um caminho relacionado com o empreendedorismo, o estudante destaca que esta experiência teve impacto na sua maneira de pensar. «[Na criação de startups], o máximo que pode acontecer é não dar certo, mas tu ganhas experiência, ganhas uma história, desenvolves-te pessoalmente. Tiveste um desafio e não perdes nada com isso», afirma.

No futuro, mantém várias possibilidades em aberto, incluindo continuar o seu percurso académico através do doutoramento, trabalhar numa empresa ou até mesmo criar a sua própria startup.

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