ElectroStars: Sahar Moradi Cherati

Hoje, partilhamos a entrevista a Sahar Moradi Cherati, estudante do Programa Doutoral em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (PDEEC). Sahar Cherati desenvolve atualmente investigação na área de arquitetura de computadores no INESC-ID. Em entrevista ao DEEC, a estudante iraniana falou um pouco sobre o seu percurso, desde a escolha do curso, incluindo a decisão de vir para Portugal e os principais desafios enfrentados ao longo dos últimos anos.
O seu interesse pela ciência surgiu ainda durante o ensino básico: «desde que me lembro, quando andava na escola era muito boa a matemática e a física e sempre tive curiosidade em perceber como funcionavam os dispositivos eletrónicos», recorda.
Lembro-me de pedir ajuda a pessoas mais velhas do que eu para fazer algumas coisas, como montar pequenos circuitos eletrónicos. (...) Para mim, é mais interessante ver como a ciência funciona na prática, além da teoria.
Sahar Moradi Cherati, estudante do PDEEC e investigadora no INESC-ID
«Eu tinha mais interesse pela área da robótica, por isso falava com algumas pessoas e estudantes dessa área. Foi então que percebi que deveria seguir Engenharia Eletrónica ou Engenharia de Computadores. Foi por isso que escolhi esse curso». Optou por seguir a licenciatura em Engenharia de Computadores, na Universidade de Tecnologia de Babol Noshirvani, onde aprofundou o seu conhecimento sobre hardware, e escolheu a especialização em arquitetura de computadores, durante o seu mestrado na Universidade Shahid Beheshti, área em que, no futuro, pretende continuar a trabalhar, dentro do setor da indústria.
Atualmente dedica-se à vertente de investigação, no âmbito do PDEEC. O seu trabalho explora formas de tornar os cálculos computacionais mais eficientes, particularmente em aplicações de inteligência artificial. Uma das abordagens diz respeito à aritmética Most-Significant-Digit-First (MSDF), onde a parte mais significativa de um resultado fica disponível primeiro. Isto pode permitir que um sistema utilize informação útil mais cedo e, em alguns casos, interrompa um cálculo antes de atingir a precisão total, contribuindo para reduzir o consumo de energia e os recursos de hardware, mantendo simultaneamente a precisão exigida pela aplicação.
A ideia é alterar a forma como o hardware realiza os cálculos, para que a informação útil fique disponível mais cedo. Se a aplicação não precisar do resultado completo, podemos conseguir interromper o cálculo mais cedo e poupar energia e recursos computacionais.
Sahar Moradi Cherati, estudante do PDEEC e investigadora no INESC-ID
Isto é particularmente relevante para smartphones, sistemas embebidos e outros dispositivos de computação de borda (edge computing), que são cada vez mais utilizados para executar aplicações complexas, como de inteligência artificial, dispondo de recursos energéticos e computacionais limitados. Nas aplicações estudadas ao longo do seu doutoramento, os projetos baseados em MSDF demonstraram compromissos favoráveis entre o consumo de energia, o custo do hardware, o desempenho e a precisão ao nível da aplicação.
Em 2025, a sua investigação recebeu o Best Student Paper Award no IEEE Computer Society Annual Symposium on VLSI (Very Large Scale Integration), realizado em Kalamata, na Grécia. Para Sahar, este reconhecimento foi uma surpresa: «Significou muito para mim porque um doutoramento representa anos de trabalho e esforço. Numa conferência internacional, apresentamos a nossa investigação juntamente com muitos outros trabalhos de grande qualidade, por isso não esperamos realmente que o nosso próprio trabalho seja selecionado para o Best Student Paper Award. Quando aconteceu, fiquei muito emocionada. Foi um momento muito especial e um reconhecimento importante do trabalho que tínhamos desenvolvido», recorda.
Algo que vejo muito aqui, em Portugal, é o facto de os estudantes terem mais oportunidades, por exemplo, de ir a conferências neste ambiente internacional.
Sahar Moradi Cherati, estudante do PDEEC e investigadora no INESC-ID
Ao longo do seu percurso no Técnico, a estudante tem apostado na participação em diferentes conferências internacionais, na área da engenharia, sendo motivada pelo facto de poder ter contacto com investigadores, estudantes e docentes de outros países. Sahar Cherati realça que um dos aspetos mais positivos da Escola é a promoção do contacto com um ambiente internacional, em particular através de experiências de mobilidade e da participação em eventos como palestras.
O interesse pelo ambiente internacional teve início quando estudava no Irão. Foi durante o seu mestrado que decidiu que queria continuar os estudos na área, através do doutoramento, combinando esta etapa com uma experiência no estrangeiro.
Através dos seus estudos em aritmética computacional, familiarizou-se com o trabalho de Leonel Sousa, professor do DEEC e investigador do INESC-ID, com quem viria mais tarde a entrar em contacto e que se tornaria o seu orientador de doutoramento. Devido ao contacto inicial com o professor, realizou alguma pesquisa e deparou-se com a possibilidade de obter uma bolsa de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), através do INESC-ID, dentro da sua área, algo que a motivou a vir para Portugal.
Para mim, tudo foi desafiante. Primeiro, foi o idioma: eu não conseguia perceber nada, nem sequer conseguia ler o nome dos sítios. (...) Depois disso, comecei a tentar compreender melhor o português e a memorizar os locais.
Sahar Moradi Cherati, estudante do PDEEC e investigadora no INESC-ID
Durante a mudança para Portugal, Sahar Cherati recorda que enfrentou diversos desafios como compreender a língua e a cultura portuguesa. De forma a combater as barreiras na comunicação, começou a esforçar-se para a aprender a falar e a ler no novo idioma, algo que tem vindo a melhorar ao longo do tempo. "Eu tento perceber o idioma português. Não é fácil compreender à primeira, mas já me sinto mais confiante a ler e a perceber algumas coisas", refere. Por outro lado, a estudante realça tem também recebido apoio, de uma forma geral, da comunidade, na superação das barreiras linguísticas.
Paralelamente, deparou-se com dificuldades na procura de alojamento acessível e na gestão da ansiedade, gerada pela situação. No entanto, a estudante não desistiu de continuar o percurso em Portugal e, apesar de se ter deparado com alguns obstáculos, realça que também tem vivido muitas experiências positivas no país. "Gosto de visitar as diferentes cidades, conhecer a história (...) e posso afirmar que Portugal tem a melhor gastronomia", afirma.
Em conclusão à entrevista, estudante destaca que, se pudesse dar um conselho a um estudante mais novo, seria para arriscar e seguir as suas ambições:
Apenas segue o teu coração. Se tens interesse em novas experiências, vai em frente.
Sahar Moradi Cherati, estudante do PDEEC e investigadora no INESC-ID
