Sara Monteiro e João Lopes, alumni de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, participam na final do Lab2Market@Técnico

No dia 24 de junho, o Técnico Innovation Center recebeu a final da 8.ª edição do Lab2Market@Técnico, uma iniciativa promovida pelo Técnico em parceria com a NTT Data e a i-Deals, que visa valorizar tecnologias com impacto social, desenvolvidas pela comunidade académica. O evento contou com a apresentação de dois projetos, desenvolvidos por alumni do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores: SculptingAI, apresentado por Sara Monteiro, e Embedded AI, apresentado por João Lopes. O júri foi constituído pelo professor Luís Caldas de Oliveira, docente do DEEC, Teresa Fiúza, Chief Investment Officer (CIO) do Banco Português de Fomento, e Pedro Fonseca, Director of University Relations and Digital Upskill da NTT Data.
A tarde contou com as intervenções de Rogério Colaço, presidente do Técnico, e Tiago Barroso, representante da NTT Data, que destacaram a importância deste programa para o reforço da ligação entre o Técnico e a indústria e felicitaram os estudantes pelo trabalho desenvolvido. De seguida, subiram ao palco os representantes de cada equipa, que deram a conhecer os seus projetos através de um pitch de 10 minutos e da resposta às questões colocadas pelos membros do júri.
O projeto SculptingAI, desenvolvido por Sara Monteiro (porta-voz do projeto), Athanasios Vourvopoulos e Daniel McName, combina realidade virtual e interação física num jogo de escultura em argila digital, com potencial como ferramenta de aprendizagem lúdica e na análise de défices motores e cognitivos. Sara Monteiro começou por destacar que uma a cada quatro pessoas experiencia, pelo menos uma vez na sua vida, um AVC e que 80% dos pacientes que sobrevivem à doença apresentam limitações motoras nos membros superiores, nomeadamente nas mãos. Por este motivo, a equipa desenvolveu um sistema que permite a criação de sessões de fisioterapia personalizadas através de realidade virtual.

O projeto inclui a deteção dos dedos do paciente e a criação de exercícios de treino que incluem a coordenação, o controlo do equilíbrio e a destreza manual através da manipulação de um bloco de argila digital. Como exemplo, Sara Monteiro referiu exercícios onde o paciente é desafiado a moldar a argila digital com o objetivo de criar um "recipiente" capaz de transportar água. Neste caso, o desempenho é avaliado com base na precisão e eficiência da modelação realizada. Desta forma, o sistema permite um acompanhamento mais detalhado da recuperação do paciente, registando o nível de progresso do mesmo. Por outro lado, permite também a realização de um maior número de sessões de fisioterapia, em relação à fisioterapia tradicional, tornando o acompanhamento mais acessível.
A apresentação contou ainda com o plano de negócio do projeto, que inclui o público-alvo, o plano de faturação do projeto e três planos de pagamento para os clientes, de acordo com as respetivas necessidades de utilização.

Após a apresentação sobre o SculptingAI, João Lopes deu a conhecer o projeto Embedded AI, desenvolvido em conjunto com Carolina Tilley. Este projeto consiste no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial locais para robôs. João Lopes começou por sublinhar que esta área enfrenta três grandes desafios principais: o trabalho, a segurança e os custos necessários. Existe uma escassez de profissionais qualificados nesta área, as condições associadas a estas atividades podem ser perigosas, aumentando o risco para os trabalhadores. Por outro lado, a monitorização das infraestruturas requer também um elevado investimento, devido à dimensão das mesmas.

Por este motivo, a indústria tem recorrido a soluções como o recurso a drones. No entanto, esta solução apresenta limitações como o facto de existir um elevado número de imagens recolhidas para processamento e a necessidade de haver profissionais responsáveis pela operação do equipamento. É neste contexto que surge projeto Embedded AI: uma solução que consiste na produção de drones que executam algoritmos de aprendizagem automática em sistemas de baixo consumo e custo reduzido, permitindo a utilização da IA em dispositivos mais acessíveis para a indústria europeia. O projeto inclui tanto a produção de hardware, desde o design e integração de placas de circuito impresso, como a o desenvolvimento do software responsável pela execução do algoritmo de inteligência artificial, utilizado para a navegação e para o processamento dos dados recolhidos.

O evento contou ainda com um painel de debate, onde os representantes das equipas finalistas partilharam um pouco da sua experiência na presente edição do Lab2Market, e com a partilha do ponto de vista de cada um dos membros do júri. Luís Caldas de Oliveira realçou o mérito do trabalho desenvolvido pelas equipas, encorajando os estudantes a seguirem as ideias que acreditem ter impacto social e valor para a indústria. O professor recordou também o trabalho desenvolvido por António Brandão Vasconcelos, que acreditava na importância de criar projetos que refletissem sobre as necessidades da sociedade.
A tarde terminou com a entrega do Prémio António Brandão Vasconcelos.
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