Sérgio Pequito: A IA não substitui a pedagogia, amplifica-a

No dia 9 de julho, Sérgio Pequito, vice-presidente da investigação, desenvolvimento e relações externas do DEEC, participou na 12.ª edição do CNaPPES – Congresso Nacional de Práticas Pedagógicas do Ensino Superior. Esta iniciativa tem como objetivo promover a melhoria de práticas no ensino, entre docentes de todo o país, visando a excelência académica. O evento decorreu no Politécnico do Cávado e do Ave, em Barcelos.
Durante a sua intervenção, Sérgio Pequito começou por abordar a inteligência artificial como um "canivete suíço digital" na era da pedagogia, uma vez que a utilização desta ferramenta poderá contribuir para o ensino e para a aprendizagem em várias vertentes, incluindo em áreas como a avaliação, a reestruturação do curso e a criação de tutores virtuais.
A mensagem transversal da apresentação é que a tecnologia deve ser subordinada aos princípios pedagógicos, e não o contrário. Tudo começa pelo alinhamento construtivo (objetivos, atividades e avaliação), pela Taxonomia de Bloom e pelos cinco requisitos de qualidade da avaliação (validade, fiabilidade, transparência, exequibilidade e valor pedagógico). Só depois surge a IA como ferramenta.
Sérgio Pequito, vice-presidente da investigação, desenvolvimento e relações externas do DEEC
Neste sentido, o professor destacou seis etapas fundamentais na prática pedagógica: relembrar a matéria, compreender os conceitos, aplicá-los, analisar e avaliar os resultados e, por último, criar ligações entre os mesmos. Por outro lado, realçou também importância de, ao longo do processo, serem considerados cinco requisitos de qualidade: a validade, a viabilidade, a transparência, a dificuldade de execução e a importância do processo.
«Então como é que nós agora podemos passar deste "canivete suíço analógico" para o "canivete suíço digital"?»
Tendo em conta os parâmetros referidos, como exemplo de ferramentas que podem ser utilizadas na modernização do ensino, o professor destacou a plataforma IAedu Platform (FCT / FCCN), um modelo de IA generativa que visa a democratização do acesso à inteligência artificial no ensino superior em Portugal. Este modelo possui acesso gratuito para docentes, estudantes, técnicos e administrativos de universidades e politécnicos nacionais. Para membros do Técnico, o login poderá ser feito através das credenciais da Escola.
Este tipo de plataformas pode contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas através de várias formas, tais como a deteção de lacunas e a verificação do alinhamento das unidades curriculares, a produção de conteúdos visuais e a revisão da estrutura e da linguagem académica de trabalhos. Por outro lado, existem também ferramentas, como tutores virtuais, que permitem um acompanhamento personalizado de cada estudante, através de explicações adaptadas, da sugestão de exercícios e da partilha de feedback sobre a evolução de cada aluno. Este tutor visa complementar o papel dos docentes, fornecendo apoio no estudo autónomo. Para demonstrar os resultados desta utilização, o professor partilhou também o testemunho de um estudante, que falou um pouco da sua experiência.
Valorizando também a transparência dos processos, o professor abordou ainda a utilização de sistemas como o semáforo da IA, onde os docentes podem indicar o nível de permissão de utilização destas ferramentas no contexto da sua unidade curricular, o recurso a declarações de honra, onde os estudantes devem indicar de que forma utilizaram os referidos recursos, e a realização de testes de autoavaliação, onde os utilizadores devem responder a questões como se o utilizador consegue explicar o conteúdo sem usar novamente a IA, se consegue defender cada escolha do trabalho e se o sistema alterou efetivamente a sua forma de pensar.
Sérgio Pequito concluiu a sua intervenção destacando que "o futuro é humano no ciclo": as tecnologias emergentes poderão colmatar algumas falhas, mas deverão estar sempre ancoradas aos valores e princípios humanos.
O objetivo é aumentar a capacidade humana, proteger os direitos humanos e preparar uma força de trabalho híbrida.
Sérgio Pequito, vice-presidente da investigação, desenvolvimento e relações externas do DEEC
Veja a sessão completa aqui:
Fotografias: Maria da Graça Marques
