DEEC e INESC-ID celebram o Dia da Energia

No dia 29 de maio, o Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e o INESC-ID promoveram o Dia da Energia. A agenda contou com a inauguração do novo laboratório, o Energy Dream Lab, painéis de debate temáticos e com a entrega dos prémios de mérito Engenheiro Ivo Gonçalves e Professor Sucena Paiva.
O evento teve início com a cerimónia de inauguração da nova infraestrutura conjunta do Técnico e do INESC-ID. O Energy Dream Lab tem como objetivo modernizar a investigação e o ensino, na área da energia. Além de apoiar múltiplos projetos nacionais e europeus, incluindo o contacto com a indústria, o novo espaço irá contribuir para a melhoria das condições do ensino de mais de 250 estudantes por ano.

De seguida, o Dia da Energia continuou no Técnico Innovation Center. A cerimónia contou com um breve discurso de Jean Barroca, secretário de estado da energia, que começou por destacar a importância da discussão de temas como a disponibilidade energética e a competitividade de preços, na transição energética. O secretário de estado referiu também a necessidade de ter em conta a resiliência da rede elétrica, chamando a atenção para cenários críticos, como, por exemplo, em contextos de catástrofe como a tempestade Kristen. Por este motivo, referiu que o estado desenvolveu, recentemente, um estudo sobre a adaptação do sistema nacional às alterações climáticas e o desenvolvimento de estratégias, prazos e prioridades que contribuam para o funcionamento da rede elétrica. Jean Barroca sublinhou a importância de existir investimento em investigação, em infraestruturas, no armazenamento, no reforço de interligações com outros países, incluindo em França e no norte de África, e nos processos de digitalização.

Após a intervenção de Jean Barroca, subiram ao palco Pedro Ferreira (EDP), Vasco Martins (CALB), David Rivera (Iberdrola), Jorge Sousa (DEEC / Técnico) e Fátima Montemor (DEQ / Técnico), que moderou a sessão. O painel “Armazenamento e Mercado” teve início com uma perspetiva, por parte de cada orador, sobre as tecnologias de armazenamento no panorama atual, no contexto ibérico. Jorge Sousa sublinhou que é necessário ter em conta o armazenamento de energia, além da eletricidade, chamando a atenção para setores como a energia térmica e para a combinação das diferentes formas de produção, armazenamento e consumo energético. David Rivera complementou a intervenção, destacando a importância de combinar os sistemas elétricos (baterias, a longo prazo) com o armazenamento hídrico (sistemas de bombagem a longo prazo) que consigam suportar e reagir aos estímulos de forma rápida. Por outro lado, Pedro Ferreira acrescentou que, no últimos anos, tem-se verificado um aumento do consumo energético nacional, não só devido ao crescimento populacional como também pelo facto de existir a procura de território nacional para a implementação de data centers, algo que poderá ter impacto nos preços e nas reservas do sistema, sendo necessário repensar o setor para evitar perdas no investimento.
Ao longo do debate, foram também abordadas questões como a abertura para novas tecnologias de armazenamento e a sua implementação e o seu investimento, a longo prazo. Neste sentido, Vasco Martins realçou a complementaridade das diferentes perspetivas da utilização da rede, incluindo a indústria, os operadores da rede, a investigação e o consumidor final. O painel contou ainda com a partilha de perspetivas sobre os mercados de armazenamento e de resposta rápida e a implementação de políticas públicas na área.

A segunda sessão, “Resiliência e Rede Elétrica”, teve a participação de João Conceição (REN), Pedro Terra Marques (E-REDES), Perfeito Isabel (EML) e Pedro Carvalho (DEEC / Técnico) e foi moderada por Maria João Pereira (DER / Técnico). João Conceição começou por referir que, atualmente, a rede elétrica enfrenta vários desafios, incluindo a nível económico, tecnológico, setorial, físico e temporal, derivados da crescente complexificação dos sistemas e do consumo nos últimos anos. Pedro Terra Marques complementou a intervenção, acrescentando que a esta complexidade também se deve à dimensão dos próprios sistemas de distribuição de energia e às assimetrias da rede, dado que existe uma maior procura energética em Lisboa e no Porto, em relação ao interior do país.
Além da distribuição, o painel abordou também questões sobre a produção energética. Neste sentido, Perfeito Isabel chamou a atenção para os custos de exploração nesta área a curto e médio prazo.
Do ponto de vista da investigação, Pedro Carvalho destacou que a resiliência elétrica sempre foi uma questão central no desenvolvimento de sistemas. Atualmente, os investigadores têm em conta métricas, relativas, por exemplo, à produção e distribuição de energia e qualidade do serviço, de forma a antecipar possíveis problemas nestas áreas. Neste sentido, o professor lançou o desafio, aos estudantes e centros de investigação, de pensar em novas métricas que contribuam para a resiliência da rede.
Durante o painel, os oradores refletiram também sobre temas como a segurança no abastecimento, a adaptação da produção e distribuição às dinâmicas económicas e às necessidades sociais, incluindo questões relacionadas com a competitividade, a sustentabilidade, a digitalização, a gestão de informação, o investimento necessário e os desafios no ensino universitário. O painel terminou com o debate sobre o impacto da inteligência artificial na resiliência e na robustez da rede.

O último painel, "Cidades e Redes Inteligentes”, teve a participação de Helena Silva (CEiiA), Sofia Tavares (EDP Inovação), Sofia Pinto Barbosa (Greenvolt) e Hugo Morais (DEEC / Técnico) e foi moderado por Manuel Heitor (DEM / Técnico). A sessão teve início com a colocação de perguntas, por parte da audiência, que abordaram temas como o funcionamento das redes inteligentes, o papel dos veículos elétricos nos sistemas de flexibilidade e o contexto português na área. Sofia Tavares começou por destacar que as redes inteligentes desempenham um papel central nas cidades inteligentes, uma vez que estas requerem um aumento do consumo energético, mais carregadores elétricos, bombas de calor, unidades de produção descentralizada de energia e serviços de flexibilidade, tendo em conta a otimização da eficiência e a velocidade dos sistemas. Sofia Barbosa complementou a intervenção acrescentando que, atualmente, portugal tem o modelo regulatório de autoconsumo coletivo e comunidades mais avançado na europa. Este modelo permite que consumidores partilhem energia renovável, produzida localmente. Num contexto em que é necessária uma maior eletrificação, torna-se possível instalar, por exemplo, painéis solares nos telhados dos edifícios, facilitando o licenciamento, e partilhar o excedente energético com outros consumidores que não tenham capacidade para a instalação de infraestruturas.
Por outro lado, o conceito de "cidade inteligente" vai além da integração de energias renováveis. Hugo Morais destacou o forte impacto do investimento em estruturas pensadas para a integração da mobilidade elétrica e dos serviços de flexibilidade energética, algo que vai também ao encontro do trabalho desenvolvido na CEiiA. Helena Silva realçou que, no setor empresarial, ao longo dos últimos anos, tem existido um foco no desenvolvimento de sistemas de gestão e estruturas para carregamento. Por outro lado, tem existido também trabalho na área de monitorização e análise de dados, provenientes de veículos não tripulados, em missões espaciais, tendo como objetivo contribuir para a segurança e defesa em cenários de catástrofe.
Ao longo do painel, foram ainda abordados temas como a integração de sistemas de automatização, o recurso a inteligência artificial, a otimização do aproveitamento de ativos, a escassez de mão de obra e a dificuldade de acesso aos dados necessários para a investigação e alguns dos atuais projetos nacionais e europeus ativos nesta área. Como exemplo, Hugo Morais concluiu a sua intervenção com a referência ao projeto EV4EU.

Após os painéis de debate, decorreu a entrega de prémios de mérito. Guilherme Barros venceu o prémio de Mérito Engenheiro Ivo Gonçalves.
O evento contou ainda com uma breve apresentação do Energy Dream Lab, realizada pelos professores Hugo Morais e Pedro Costa, e com a intervenção de Rogério Colaço, presidente do Técnico.
O Dia da Energia terminou com um momento de convívio e coffee break.
